Estrategistas do Morgan Stanley e do Crédit Agricole veem limite para alta do dólar

Após alta de 2% em junho do Índice Bloomberg Dollar Spot, parte dos analistas argumentam que as apostas em juros mais altos nos EUA e a resiliência da economia americana já estão, em grande medida, refletidas na cotação do dólar

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Bloomberg — Os estrategistas cambiais do Crédit Agricole, do Morgan Stanley e da TD Securities estão entre aqueles que contrariam a previsão consensual de um dólar mais forte.

O Índice Bloomberg Dollar Spot subiu 2% em junho, seu melhor mês desde o início da guerra no Irã, e continuou em alta no início de julho. As expectativas de taxas de juros altas ou ainda mais elevadas por parte do Federal Reserve têm sido um fator-chave para a alta, depois que o novo presidente, Kevin Warsh, enfatizou o compromisso do banco central com o combate à inflação em sua coletiva de imprensa de 17 de junho.

O ímpeto por trás do movimento do dólar tem sido tão forte que a postura otimista dos operadores especulativos em relação à moeda tornou-se a mais extrema em um ano e meio.

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Esse cenário está levando um grupo crescente de analistas, que também inclui a Eurizon SLJ Capital, de Stephen Jen, a argumentar que os investidores já extraíram praticamente tudo o que podiam, por enquanto, das apostas na valorização do dólar.

“O dólar parece sobrecomprado e supervalorizado”, afirmou Valentin Marinov, chefe de pesquisa e estratégia cambial do G-10 no Crédit Agricole.

“O Fed pode não ser tão hawkish quanto esperado pelos mercados de taxas dos EUA.”

Uma pausa ou desaceleração na alta do dólar teria grandes implicações para as autoridades de países como o Japão, pois diminuiria o risco de inflação importada. O iene atingiu esta semana a menor cotação em 40 anos em relação ao dólar, que vem se valorizando de forma generalizada, aumentando a ameaça de intervenção por parte das autoridades japonesas.

O próximo teste para as expectativas em relação ao Fed ocorre na quinta-feira, com a divulgação dos números do emprego nos EUA.

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Prevê-se que os dados mostrem que a economia criou cerca de 115.000 empregos no mês passado, acompanhados de aumento nos salários — um resultado sólido o suficiente para manter intactas as apostas em novos aumentos das taxas pelo Fed.

Às vésperas da divulgação dos dados, os operadores prevêem que o Fed aumente os custos dos empréstimos em um quarto de ponto já em outubro e estão até mesmo se protegendo contra o risco de um movimento neste mês.

Trata-se de uma reviravolta acentuada em relação ao período anterior ao início da guerra, no final de fevereiro, quando os operadores ainda previam que o Fed reduziria as taxas em 2026.

A alta nos preços do petróleo e as expectativas de inflação frustraram essas previsões e, combinadas com a resiliência da economia dos EUA nos últimos meses, prepararam o terreno para a valorização do dólar.

Esse cenário explica por que grande parte de Wall Street continua otimista em relação à principal moeda de reserva mundial. O JPMorgan Chase, o Bank of America e o Goldman Sachs têm defendido uma maior valorização do dólar. O HSBC Holdings afirmou que uma alta acentuada do dólar pode se tornar uma das maiores “operações dolorosas” do segundo semestre do ano.

“Esperamos que os diferenciais das taxas de juros dos EUA se movam ainda mais a favor do dólar, à medida que a economia dos EUA continua a apresentar desempenho superior ao de seus pares”, disse Samara Hammoud, estrategista do Commonwealth Bank of Australia.

“Ainda esperamos que o Federal Reserve eleve a taxa de juros de referência em mais do que o precificado pelos mercados.”

Os observadores do mercado apontam para outro pilar de sustentação, proveniente do investimento maciço em infraestrutura de inteligência artificial, que impulsionou os lucros e atraiu fundos internacionais para as ações dos EUA.

Os céticos não estão dizendo que essa narrativa esteja prestes a desmoronar. Eles simplesmente consideram que tudo isso já está, em grande parte, refletido no valor da moeda norte-americana, em um momento em que se acredita que o Fed provavelmente manterá as taxas inalteradas nos próximos meses.

O Natixis está nesse grupo, assim como o Morgan Stanley, que afirmou na semana passada estar “relutante em ‘perseguir’ uma alta do dólar”.

Na quarta-feira, Warsh afirmou, em um fórum de bancos centrais em Portugal, que os riscos de preços diminuíram nas últimas semanas, ao mesmo tempo em que reiterou sua determinação em trazer a inflação de volta à meta de 2% do Fed.

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“A oscilação nas expectativas do mercado em relação à política do Fed pode ser excessiva: não vemos o Fed aumentando as taxas neste ciclo”, escreveram Jen e sua colega Joana Freire, da Eurizon SLJ Capital, nesta semana.

“Uma reavaliação mais dovish do Fed poderia ajudar a moderar a valorização do dólar.”

É claro que a outra grande consideração é o panorama econômico fora dos EUA. Alguns estrategistas mantêm a ideia de que, após meses de turbulência nas relações internacionais — o que desencadeou a compra do dólar como moeda-porto-seguro —, os diferenciais relativos de taxas devem passar a favorecer as moedas concorrentes do dólar.

Por exemplo, o Banco Central Europeu elevou as taxas em um quarto de ponto no mês passado, e considera-se possível um novo aumento até dezembro.

“À medida que o crescimento global se estabiliza, os prêmios de risco diminuem e os bancos centrais reduzem os diferenciais de taxas em relação a um Fed que mantém as taxas inalteradas, a tendência de desvalorização do dólar deve reaparecer ainda este ano”, escreveram os estrategistas do TD, liderados por Jayati Bharadwaj.

--Com a colaboração de Matthew Burgess.

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