Estrategistas de Wall St veem na queda das ações um novo sinal para ir às compras

Analistas estão confiantes de que as ações americanas devem voltar a subir após o forte recuo ocorrido diante do resultado das eleições de meio de mandato nos EUA

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Bloomberg — Vários estrategistas de Wall Street apostavam que uma onda de vendas de curto prazo após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos daria aos investidores a oportunidade de comprar ações a preços mais baixos.

Na quinta-feira (05), porém, a queda foi muito mais intensa do que esperavam. Agora, eles recomendam que seus clientes aproveitem a oportunidade.

“É neste momento que você deve aumentar sua exposição a risco nas próximas duas ou três semanas”, disse Mike Wilson, estrategista-chefe de ações dos Estados Unidos no Morgan Stanley.

Wilson ficou tão surpreso quanto os demais com a intensidade das vendas na quinta-feira, que derrubaram o S&P 500 em 4,4% e fizeram o Nasdaq 100 recuar 6,4%. O movimento refletiu o temor de que os democratas, fortalecidos pelo resultado eleitoral, desacelerem a expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

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Ainda assim, Wilson está confiante de que as ações americanas devem voltar a subir e mantém sua projeção de que o S&P 500 chegará a 8.000 pontos até o fim do ano. Isso representaria uma alta de 8,4% em relação ao fechamento de sexta-feira (06).

Os investidores voltaram ao mercado na sexta-feira, e o S&P 500 subiu 0,3%. Mesmo assim, o índice ainda acumula queda de 2,5% desde o encerramento da votação na terça-feira (03). Os democratas conquistaram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes, além de várias assembleias legislativas estaduais e governos estaduais pelo país. Muitos dos candidatos eleitos prometeram restringir a expansão dos data centers e ampliar a regulação.

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Wilson e muitos de seus colegas de Wall Street argumentam que a forte queda mostra que a correção do S&P 500, iniciada nas últimas semanas, está perto do fim — e não que a aposta em inteligência artificial esteja desmoronando, o que indicaria novas perdas adiante.

“Vivemos uma bolha de inteligência artificial, e acho que ela está começando a perder força”, disse Ed Yardeni, estrategista-chefe de investimentos da Yardeni Research, em entrevista na quinta-feira. “O estouro da bolha teria impactos bastante negativos sobre a economia, e não vejo isso acontecendo.”

Wilson recomenda que os investidores aproveitem para comprar ações de empresas voltadas ao consumo, sobretudo se os juros e os preços do petróleo continuarem caindo. Yardeni prefere ações do setor de saúde.

“Vejo isso como uma correção”, disse Yardeni, que projeta o S&P 500 em 7.900 pontos no fim do ano. “Eu esperava que surgissem oportunidades de compra depois das eleições e acho que algumas boas começam a aparecer.”

Pegos de surpresa

Muitos operadores de Wall Street foram pegos de surpresa pela forte queda de quinta-feira, depois de aconselharem seus clientes a voltar ao mercado após as eleições. Na quarta-feira (04), o S&P 500 subiu 1,6%, numa reação inicial positiva dos investidores ao resultado.

“Há bastante espaço para os investidores voltarem a assumir riscos”, escreveu Scott Rubner, chefe de estratégia de ações e derivativos de ações, em uma nota aos clientes na quarta-feira. “Com a incerteza em queda e alguns dos maiores compradores do mercado de volta, acreditamos que o caminho de menor resistência para as ações americanas é de alta até o fim do ano.”

Mesmo assim, a maioria dos estrategistas mantém suas apostas. A projeção média para o índice no fim do ano é de 7.973 pontos, segundo dados compilados pela Bloomberg.

“Não seria prudente abandonar o mercado depois de um ajuste moderado em resposta ao resultado eleitoral”, disse Jonathan Golub, estrategista-chefe de ações da Seaport Global Holdings, que prevê o S&P 500 em 8.200 pontos no fim do ano. “Sou comprador sem hesitação.”

Um dos principais obstáculos à recuperação do S&P 500 seria a continuidade da fraqueza das ações ligadas à inteligência artificial, que impulsionaram o índice durante a maior parte do mercado de alta iniciado há quatro anos.

O índice de semicondutores da Bolsa da Filadélfia caiu 12% na quinta-feira e ainda acumula baixa de 36% em relação ao pico de junho.

“As ações de semicondutores e o segmento de infraestrutura de inteligência artificial, que sustentaram o mercado até agora neste ano, continuarão sob pressão”, disse Ohsung Kwon, estrategista-chefe de ações do Wells Fargo. “Para o mercado subir muito mais daqui, é preciso contar com a contribuição dos ativos de alto risco.”

Se persistirem os temores de desaceleração dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, gigantes da tecnologia como Alphabet (GOOG) e Amazon (AMZN) poderão dar algum apoio às ações, segundo Kwon, que projeta o S&P 500 em 7.700 pontos. Essas empresas assustaram os investidores ao investir pesado na tecnologia, mas podem se beneficiar da expectativa de que sejam obrigadas a reduzir os gastos.

“Não queremos ser pessimistas demais neste momento”, disse ele.

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