Dólar sobe mais de 1,5%, a R$ 5,06, e Ibovespa cai com virada nas bolsas globais

Andamento da guerra no Oriente Médio e onda vendedora de títulos pressiona renda variável e aumenta aversão a risco nos mercados nesta sexta-feira (15)

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Bloomberg Línea — O dólar sobe mais de 1,5% e o Ibovespa (IBOV) operava em queda nesta sexta-feira (15), em linha com cenário de aversão global a risco que derruba as principais bolsas do mundo.

  • Ibovespa (IBOV): +1,42% às 11h, aos 175.839 pontos
  • Dólar comercial: +1,57% às 11h, a R$ 5,067

A turbulência ocorre na esteira de uma forte onda vendedora no mercado de títulos à medida que aumentaram as dúvidas sobre uma normalização rápida da oferta de petróleo do Oriente Médio.

A taxa dos Treasuries de 10 anos ampliou a alta e superou 4,5%. Já o rendimento dos títulos japoneses de 30 anos atingiu 4% pela primeira vez desde 1999.

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O impasse entre Estados Unidos e Irã voltou ao centro das atenções dos investidores com o fim da cúpula entre o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, que terminou sem qualquer avanço para a retomada do fluxo pelo Estreito de Ormuz – importante hidrovia para o fluxo comercial de petróleo.

A commodity voltou a subir no mercado internacional e os principais índices americanos passam por correção depois do rali desta semana impulsionado pela inteligência artificial. Na véspera, o S&P500 chegou a alcançar um novo recorde, fechando acima de 5.700 pontos pela primeira vez.

  • Dow Jones: -0,98% às 11h
  • S&P 500: -1,20% às 11h
  • Nasdaq 100: -1,69% às 11h
  • Petróleo Brent: +2,31% às 11h, cotado a US$ 108,16 por barril

“Não há dúvida de que o movimento de alta [nas bolsas americanas] foi agressivo demais, o que aumenta o risco de uma correção”, disse Paul Skinner, da Wellington Management, à Bloomberg TV.

“Com os mercados de títulos demonstrando instabilidade, o problema da inflação e a ausência de uma solução para o Estreito de Ormuz após a cúpula, acredito que ainda veremos bastante volatilidade.”

Helima Croft, chefe global de estratégia de commodities da RBC Capital Markets, afirmou que a expectativa de que o Estreito de Ormuz seja reaberto já no próximo mês é um caso de “superstição”.

“Parece haver um consenso crescente de que o Estreito de Ormuz será reaberto em junho porque o custo de mantê-lo fechado seria alto demais”, escreveu. “Somos bastante céticos. O cenário otimista parece baseado na frágil premissa de que existe uma solução política relativamente simples que pode ser acionada.”

— Com informações da Bloomberg News

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