Bloomberg Línea — As ações brasileiras ampliam nesta segunda-feira (5) a forte alta registrada após as eleições, com ganhos de mais de 20% entre vários dos maiores destaques do Ibovespa. O movimento também atinge empresas como a Petrobras e as ações do Nubank em Wall Street.
Às 11h26 (horário da costa leste dos EUA), o Ibovespa (IBOV) subia 8,36%, para 208.175,63 pontos, em seu melhor dia desde 2020. O movimento superou o avanço de 7,46% registrado na abertura e acompanhou a valorização do real (USDBRL) depois que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva.
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A reação concentrou-se especialmente nas empresas expostas à economia brasileira. Bancos, consumo, varejo, construção civil e serviços figuravam entre os setores com maiores ganhos, em linha com as áreas que empresas como o UBS e o Citi (C) haviam identificado como sensíveis a um cenário de taxas mais baixas.
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“Os resultados até o momento sugerem uma maior confiança do mercado em um quadro de políticas mais orientado para o mercado e fiscalmente conservador, centrado na disciplina fiscal, em uma inflação mais baixa, em incentivos ao setor privado e em uma maior confiança dos investidores”, escreveram Gustavo Schroden e Arnon Shirazi, analista do Citi.
As 10 ações que mais subiam no Brasil
Os maiores avanços concentraram-se em empresas financeiras e expostas ao ciclo doméstico. BTG Pactual, Magazine Luiza e B3 lideraram os ganhos, todas com valorizações superiores a 25%. As 10 ações que mais subiram no Brasil foram:
- BTG Pactual (BPAC11): 26,89%
- Magazine Luiza (MGLU3): 26,15%
- B3 (B3SA3): 25,32%
- Cyrela (CYRE3): 23,72%
- Cosan (CSAN3): 23,06%
- Localiza (RENT3): 20,66%
- C&A Modas (CEAB3): 20,39%
- Vamos (VAMO3): 18,78%
- Smart Fit (SMFT3): 18,21%
- Ativos (ASAI3): 18,03%
O comportamento está em linha com a análise apresentada pelo UBS antes da abertura do mercado. A corretora apontou as ações nacionais como as principais beneficiárias de um eventual ajuste fiscal mais profundo, com bancos, varejo, construtoras, serviços públicos, educação, saúde e small caps entre os segmentos de maior sensibilidade.
O Magazine Luiza e a Assaí também estavam entre as empresas destacadas anteriormente por João Pedro Soares, analista do Citi. O especialista havia identificado ambas as empresas como aquelas que poderiam se beneficiar mais com um cenário de taxas mais baixas, devido à sua maior sensibilidade ao ciclo econômico nacional.
Nubank e a Petrobras também avançavam
Fora do grupo das dez maiores altas, a Petrobras registrava ganhos mais moderados do que o restante do mercado. As ações preferenciais (PETR4) subiam 8,68%, enquanto as ordinárias (PETR3) registravam alta de 7,65%.
O desempenho da Petrobras contrastava com a liderança das empresas nacionais. O UBS havia previsto que as petrolíferas poderiam ficar para trás em relação a outros setores, de acordo com seu cenário fiscal, ao perderem parte de seu papel como cobertura nas carteiras brasileiras.
O Nubank também apresentava movimentos positivos. Seu BDR no Brasil, a Nu Holdings (ROXO34), subia 7,69%, para BRL$12,61. Em Nova York, a Nu Holdings (NU) era negociada a US$15,26, após alta de 13,18%.
As ações do Nubank nos Estados Unidos também registraram uma alta de 24,09% nos últimos cinco pregões, depois que a empresa informou que não compraria o Monzo.
Com o Ibovespa registrando sua maior alta desde 2020, a atenção agora se volta para quanto tempo essa valorização poderá se manter. O segundo turno de 25 de outubro, as primeiras pesquisas de opinião e os sinais sobre a política fiscal e a equipe econômica continuarão sendo fatores determinantes para os ativos brasileiros.
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