Demanda por hedge para dólar e bolsa cresce antes do segundo turno das eleições

Redução da vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula nas pesquisas levou investidores a aumentar a demanda por proteção contra a alta do dólar e quedas do Ibovespa, com indicadores do mercado de opções atingindo os níveis mais elevados de pessimismo em meses

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Bloomberg — Investidores voltaram a buscar proteção para suas posições conforme novas pesquisas eleitorais esfriam a euforia provocada pelo primeiro turno das eleições no início deste mês.

Os risk reversals de um mês, que refletem o prêmio que operadores de opções estão dispostos a pagar para se proteger contra uma alta do dólar, subiram para mais de 6% esta semana, o maior nível desde 2020.

Na bolsa, o volume de posições em aberto em opções de venda, as chamadas puts, do Ibovespa atingiu o maior nível desde abril, com investidores pagando mais por proteção contra quedas.

O custo relativo das opções de venda em relação às de compra — conhecido como skew — atingiu nesta semana o nível mais pessimista desde maio para contratos de um mês.

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O movimento ocorreu depois que uma pesquisa Poder360/Aya mostrou que a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva caiu para dois pontos percentuais, ante seis pontos cerca de uma semana antes. Os ativos haviam disparado na semana passada depois que o senador terminou inesperadamente à frente do presidente Lula no primeiro turno.

“Não é que o mercado está precificando Lula”, disse Daniel Balaban, broker da XP em Nova York. “O mercado está se protegendo, até porque o investimento aumentou muito.”

Uma pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira mostrou Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, um empate técnico dentro da margem de erro.

O iShares MSCI Brazil ETF, negociado nos Estados Unidos e conhecido pelo ticker EWZ, mostra um padrão semelhante. O prêmio das apostas altistas de um mês atingiu o pico no início de outubro e desde então recuou para perto da paridade. Os investidores demonstram mais cautela em prazos mais longos, com os contratos de três meses mostrando o viés mais pessimista desde abril de 2025.

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Embora Flávio Bolsonaro ainda não tenha apresentado planos detalhados, investidores veem o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como mais propenso a buscar reformas fiscais, como cortes de gastos, consideradas fundamentais para ajudar a reduzir as taxas de juros.

O desempenho surpreendentemente forte de Flávio no primeiro turno levou o JPMorgan a elevar a recomendação para as ações brasileiras a overweight, com estrategistas projetando uma alta de 20% para essa classe de ativos diante da perspectiva de um governo mais disciplinado do ponto de vista fiscal.

O Morgan Stanley, por sua vez, vê o Brasil nos estágios iniciais de uma reprecificação. O fluxo estrangeiro para a bolsa saltou para quase R$ 16 bilhões até 9 de outubro, a caminho do maior ingresso mensal desde janeiro, enquanto grandes gestoras locais, como Legacy Capital e Vista Capital, apostam em novas altas e mantêm uma visão otimista para o mercado acionário.

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“Após a valorização recente, os investidores estão mais posicionados em ações e começam a buscar proteção para eventuais riscos eleitorais”, disse Rodrigo Santoro, responsável pela área de ações da Bradesco Asset Management, terceira maior gestora do país, acrescentando que as pesquisas recentes “trouxeram dúvidas” aos investidores.

A demanda por proteção também reflete os esforços crescentes de Lula para recuperar terreno. O governo apresentou na terça-feira uma proposta para perdoar R$ 12,6 bilhões em dívidas de microempreendedores, somando-se a uma série de medidas de renegociação e alívio de dívidas promovidas neste ano.

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Também há dúvidas sobre até que ponto um eventual governo Flávio seria fiscalmente responsável. A pressão política já levou o candidato a mudar de posição e apoiar o fim da escala 6x1, aprovada pelo Senado ontem.

“O fato de o mercado já estar precificando um cenário de vitória de Bolsonaro pode levar alguns investidores a aumentar a proteção caso haja alguma surpresa no dia 25”, disse Patricia Urbano, gestora de portfólio da Edmond de Rothschild. “Além disso, ainda existem incertezas sobre o detalhamento do plano de ajuste fiscal a ser anunciado e a futura composição do governo.”

O que diz a Bloomberg Intelligence:

“A decisão de Bolsonaro de apoiar a medida surpreende depois de ele ter se oposto ao seu avanço por razões econômicas. Essa mudança corre o risco de inquietar investidores ao levantar novas dúvidas sobre quanto capital político ele estaria disposto a gastar em uma agenda fiscal mais dura caso seja eleito.”

Davison Santana, estrategista da BI

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