De Coca-Cola Femsa ao Assaí: ações para investir em LatAm, segundo analistas

Bancos globais e casas de investimento listam ações recomendadas na América Latina; México e Brasil seguem como principais destinos

Brazilian Real Outperforms As Tariffs Fail To Inflict Much Pain
07 de Janeiro, 2026 | 12:17 PM

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Bloomberg Línea — A América Latina entra em 2026 com uma combinação de fatores que renovam a atratividade de seus ativos, apesar de uma projeção de crescimento regional moderado de 2,2%, de acordo com estimativas do Bank of America.

A região emergiu como um destino para a alocação de capital, com a dinâmica doméstica e global oferecendo janelas para os investidores.

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A convergência de taxas de juros mais baixas, reformas econômicas em andamento e uma reconfiguração do ciclo de investimento global oferecem uma janela de oportunidade para renda fixa e ações.

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O ciclo eleitoral que se desenrolará em vários países influenciará a construção do portfólio, bem como a direção dos fluxos de capital locais e internacionais.

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“As fortes tendências políticas consolidam um viés de alta nos ativos, com o Brasil e o México cortando as taxas de juros de forma mais agressiva“, de acordo com os analistas do Bank of America.

As empresas de investimento concordam que 2026 não dependerá de uma expansão dos múltiplos, mas da capacidade das empresas de sustentar o crescimento dos lucros e gerar retornos ajustados ao risco.

Nesse contexto, os fluxos locais, as reformas e as condições de financiamento são os catalisadores que determinarão o desempenho das ações e das dívidas.

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México e Brasil: entre o ciclo de taxas e a alocação setorial

O México e o Brasil continuam sendo os principais destinos de investimentos na América Latina. Em ambos os casos, os cortes nas taxas de juros e as decisões de política econômica serão decisivos.

Para o Brasil, o Morgan Stanley estima que o Ibovespa poderia continuar a subir em seu cenário base, com a valorização impulsionada pelo crescimento dos lucros de 32%.

“O Brasil pode subir 20% em nosso cenário base impulsionado pelo crescimento dos lucros e permanecer a 10x preço/lucro, bem posicionado para uma expansão de múltiplos e uma redução no custo de capital se houver uma reviravolta nos investimentos“, de acordo com analistas do Morgan Stanley.

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O Banco do Brasil projeta que o Ibovespa chegará a 186.000 pontos até o final de 2026.

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Laís Souza Reis, analista da instituição financeira, acredita que a renda fixa também se manteria competitiva, mesmo após uma sequência de seis cortes de 50 pontos-base que deixariam a taxa Selic em 12%.

Com um retorno projetado de 13,29% para a renda fixa pós-fixada, os analistas acreditam que o carry continuará sendo uma âncora relevante para os investidores institucionais.

Em ações, o Bank of America identifica oportunidades em empresas com forte geração de caixa e sensibilidade positiva a taxas mais baixas.

Seu portfólio inclui nomes como Hypera (HYPE3), Localiza (RENT3), Yduqs (YDUQ3), Rede D’Or (RDOR3), B3 (B3SA3), Assaí (ASAI3), BTG Pactual (BPAC11), Itaú Unibanco (ITUB4) e Petrobras (PETR4).

“Damos preferência a nomes que possam se beneficiar de um ciclo de flexibilização, mas que sejam fortes geradores de caixa, mesmo em um cenário em que o ciclo de flexibilização possa demorar mais do que esperamos”, diz o banco.

No México, as expectativas são moldadas pela revisão do T-MEC, pela evolução da taxa de câmbio e pelo desempenho do consumo doméstico.

A Monex mantém uma visão positiva de setores como alimentos, bebidas, telecomunicações, infraestrutura, bancos e varejo. Entre os emissores de destaque estão Gruma (GRUMAB), Walmex (WALMEX*), América Móvil (AMXB), Femsa (FEMSAUBD), Arca Continental (AC*) e Fibra Prologis (FIBRAPL).

Um caminhão de entrega da Coca-Cola estacionado em frente a uma loja de conveniência OXXO na Cidade do México (Foto: Jeoffrey Guillemard/Bloomberg)

O Bank of America favorece os emissores com caixa estável e exposição ao dólar, como Arca (AC*), Coca-Cola Femsa (KOF), Alfa (ALFAA), Banco Regional(RA) e Funo (FUNO11). “Adicionamos o Banco Regional, que se beneficiaria de uma revisão positiva do T-MEC no próximo ano, nosso cenário base”, segundo os analistas do BofA.

No caso do México, os analistas da Monex, liderados por Janneth Quiroz, destacam que a seleção de emissores para 2026 responde a uma combinação de fatores técnicos e fundamentais.

Entre os catalisadores identificados estão a evolução do nearshoring, notícias corporativas, flexibilidade monetária do banco central e atividade econômica nos EUA.

“Nosso foco será no seguinte: crescimento econômico local e dos EUA, cenário comercial, flexibilidade do Banxico, notícias relacionadas ao nearshoring, capacidade de melhorar as expectativas, efeito da taxa de câmbio, sinergias geradas em vários setores pela Copa do Mundo de 2026 e a extensão da reavaliação em alguns setores“, segundo os analistas da Monex.

Chile, Colômbia e Peru: transições seletivas e oportunidades

Os países andinos enfrentam um ano de eleições e definições políticas que podem alterar as trajetórias dos ativos.

O Morgan Stanley adverte que os retornos de 2025 no Chile e na Colômbia foram explicados, em grande parte, pela compressão dos prêmios de risco e pela reavaliação múltiplos, de modo que o potencial em 2026 dependerá mais do crescimento dos lucros.

“2026 será cada vez mais determinado pela capacidade de gerar crescimento real dos lucros”, acrescentou Cesar Huiman, analista sênior da Renta4.

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No Chile, a vitória presidencial de José Antonio Kast e a aprovação de reformas pró-investimento alimentaram a recuperação do mercado de ações, com o IPSA subindo 56% em pesos.

O BTG Pactual destaca um crescimento de 15% nos lucros até 2026, impulsionado pela infraestrutura e pelo lítio. Nas ações para janeiro, os destaques incluem SQM (SQM/B), Santander Chile (BSAN), LATAM Airlines (LTM) e Falabella (FALAB).

O BTG Pactual identifica uma reconfiguração nos fundamentos após a eleição presidencial, impactando os fluxos e o posicionamento do mercado.

As ações chilenas, que lideraram o rali da região em 2025, agora estariam condicionadas pela implementação de reformas estruturais, consolidação fiscal e ciclo de taxas.

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“Olhando para 2026, prevemos que a força das ações chilenas continuará, impulsionada por uma estimativa preliminar de crescimento de 15% nos lucros corporativos, com um viés de alta”, disse Alex Fleiderman, chefe de Vendas de Ações do BTG Pactual.

Na Colômbia, a Aval Casa de Bolsa estima que o MSCI Colcap pode atingir 2.360 pontos, com um retorno potencial de 14%. A recuperação de 2025 foi atribuída a recompras de ações, cisões de empresas, dividendos e melhorias no lucro líquido de bancos e empresas do setor real.

Para o primeiro mês do ano, eles identificam espaço para valorização no Grupo Energía Bogotá (GEB), Ecopetrol (ECOPETL), Grupo Argos (GRUPOARG), Preferencial Cibest e Terpel (TERPEL).

“Os dividendos que estimamos para 2026 mantêm muitos emissores com rendimentos competitivos em relação à renda fixa”, disse a equipe de analistas liderada por Omar Suárez.

No Peru, a Renta4 e o Morgan Stanley concordam que o mercado passará de um estágio dominado por múltiplos para um estágio baseado no crescimento dos lucros.

Com um LPA esperado de 13% e um prêmio de risco de ações de 6,12 pontos, o país se destaca entre seus pares andinos.

O portfólio recomendado inclui Alicorp (ALICORC1), Ferreycorp (FERREYC1), Unacem (UNACEMC1), Engie Energía Perú (ENGIEC1), InRetail (INRETC1) e Auna (AUNA).

No Peru, a Renta4 destaca uma mudança na composição dos retornos esperados para 2026.

“De um ano dominado por múltiplos, câmbio e commodities, para um ano em que o crescimento dos lucros será o principal impulsionador, com o Peru bem posicionado para liderar esse processo na região“, acrescentou Huiman.

Argentina: reformas e investimentos como uma narrativa

A perspectiva para a Argentina em 2026 está condicionada à velocidade de implementação das reformas estruturais.

O Morgan Stanley e o Bank of America mantêm uma posição de sobreponderação no país, mas com advertências sobre a volatilidade associada ao risco político e à ausência de um mercado de capitais local desenvolvido.

“A história das ações argentinas acompanhou em grande parte o progresso dos lucros”, lembram os analistas do Morgan Stanley.

O Bank of America acredita que a aprovação de reformas trabalhistas, tributárias e regulatórias poderia gerar um novo ciclo de investimentos.

“Vemos espaço para mais vantagens, pois já estamos vendo diálogos e negociações com províncias e legisladores para apoiar reformas estruturais”, disseram os especialistas do banco.

Entre as ações selecionadas estão Vista (VIST), Loma Negra (LOMA) e Banco Macro (BMA). No último caso, destaca-se uma melhor relação risco-retorno em comparação com seus pares.

“Os bancos argentinos devem se tornar geradores de lucros à medida que os primeiros sinais de recuperação econômica e possíveis reformas estruturais se consolidam”, de acordo com o relatório do BofA.

A região enfrenta 2026 com oportunidades definidas por fatores específicos: expansão dos lucros, ciclos de investimento e redução do custo de capital.

O ciclo monetário global, juntamente com os ajustes e as reformas domésticas, poderia possibilitar um ambiente mais favorável para os ativos de risco.

Entretanto, os analistas concordam que a atratividade da América Latina dependerá da capacidade dos países de promover reformas e consolidar políticas que favoreçam o crescimento sustentado.

A combinação de taxas de juros mais baixas, fortalecimento institucional e catalisadores externos, como nearshoring e a transição energética será fundamental em um ano com novas eleições.