Bradesco Asset reduz exposição ao risco em ano eleitoral, diz head de investimento

Gestora deixou o portfólio mais defensivo, com setores de utilities e transportes e com menos papéis voláteis e arriscados, além de cortar a exposição a empresas ligadas a commodities, disse Ana Rodela à Bloomberg News

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Bloomberg — A Bradesco Asset Management “enxugou” o risco de suas carteiras para enfrentar as incertezas de 2026, ano eleitoral em que será difícil construir cenários com convicção, segundo a diretora de investimentos, Ana Rodela.

Na renda variável, a gestora reduziu o chamado “beta” da carteira, papéis mais voláteis e arriscados, deixando o portfólio mais defensivo, com setores de utilities e transportes.

Além disso, cortou exposição a empresas ligadas a commodities. Na renda fixa, a Asset diminuiu sua exposição a títulos públicos atrelados à inflação.

“A ideia é estar leve para em momentos de oportunidade poder fazer alguma alocação um pouco mais tática,” disse a CIO (Chief Investment Officer) em entrevista à Bloomberg News na sede da gestora em São Paulo.

“Vejo isso como um mote para o ano, acho difícil ter algo que nos dê convicção em carregar uma posição estrutural.”

O impacto da política sobre os mercados ficou mais evidente quando os preços de ativos “afundaram” com o apoio declarado de Jair Bolsonaro à pré-candidatura de seu filho Flávio à presidência no início de dezembro.

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O anúncio foi um considerado um baque para investidores que, até então, alimentavam a expectativa de que o principal nome da direita para as eleições fosse o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visto como o adversário mais forte ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além das eleições, a gestora busca ajustar o portfólio para se posicionar para o início do ciclo de corte da taxa básica de juros, que prevê para março, diante da desaceleração da inflação.

Com a perspectiva de alívio monetário, a Bradesco Asset tem mirado ações de locadoras de veículos, beneficiadas tanto pelo estímulo ao consumo quanto pela redução da alavancagem, segundo o chefe de renda variável, Rodrigo Santoro.

A asset também tem exposição ao setor de distribuição de combustíveis, favorecido pelo avanço das operações da polícia de combate à atuação ilegal no segmento.

Na renda fixa, Rodela disse avaliar que o cenário de queda de juros já está “razoavelmente precificado”.

A Bradesco Asset diminuiu a posição em NTN-Bs, os títulos públicos atrelados à inflação, que são aposta comum no mercado em razão das taxas reais elevadas — com juros reais de papéis de vencimentos intermediários e longos operando acima de 7% desde dezembro de 2024.

A Asset também optou por adicionar proteções na carteira, que vão desde opções a hedges, como no dólar americano, e books quantitativos, que usam modelos estatísticos para definir posições.

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Captação

A Bradesco Asset captou R$ 9,25 bilhões líquidos em todos os produtos no ano passado até novembro, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a Anbima.

Rodela afirmou que os fundos de crédito e debêntures incentivadas seguem com demanda aquecida e deverão seguir captando ao longo do ano, considerando que a taxa do CDI permaneça elevada.

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“Com o CDI médio alto e em um cenário que tem volatilidade, dado que o investidor é avesso ao risco, esse recurso continua vindo para cá”, disse a executiva.

Diante desse cenário, provavelmente haverá também uma entrada em fundos de ações, levando em conta o movimento “muito expressivo” de valorização da bolsa em 2025, avaliou a gestora - o Ibovespa subiu 34% no ano passado.

“Talvez voltaremos a ver fluxo para os fundos de renda variável antes do que para os multimercados”, disse.

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