Bolsas globais flutuam em reação a risco geopolítico, pressão da IA e sinais sobre juros

Futuros do Nasdaq caem com retorno de Wall Street após feriado, enquanto tensões com o Irã e incertezas sobre juros do Fed elevam a cautela global

NO RADAR DOS MERCADOS
17 de Fevereiro, 2026 | 07:24 AM

Bloomberg — As ações internacionais são negociadas de forma mista na manhã desta terça-feira (17), e os contratos do Nasdaq 100 sugerem que a queda nas ações de tecnologia pode ter mais força com os investidores de Wall Street retornam após feriado do Presidents Day. Os títulos do Tesouro subiram e os metais preciosos caíram.

Os futuros do Nasdaq recuaram 0,5% e os do S&P 500 caíram 0,2%. As ações europeias abriram sem alterações. No Reino Unido, os mercados monetários precificaram dois cortes nas taxas de juros do Banco da Inglaterra até o final do ano, e a libra caiu em relação ao dólar depois que o desemprego no Reino Unido subiu para um nível quase recorde de cinco anos.

PUBLICIDADE

Investidores norte-americanos voltam às suas mesas de trabalho com o aumento das tensões em torno do Irã e a preocupação com o impacto mais amplo da inteligência artificial, que vai além do setor de tecnologia. A perspectiva de cortes nas taxas do Federal Reserve também está em foco após os dados de inflação de sexta-feira.

Os títulos do Tesouro de dez anos avançaram, reduzindo o rendimento em dois pontos-base, para 4,03%. O iene, historicamente visto como um refúgio nos mercados avessos ao risco, se fortaleceu 0,2% em relação ao dólar. O petróleo manteve seus ganhos em grande parte, já que os exercícios navais do Irã perto de uma importante rota de navegação aumentaram os riscos geopolíticos antes das negociações com os EUA.

“Vários feriados no mercado e a falta de novos catalisadores estão colocando as ações na defensiva hoje”, disse Tim Waterer, analista de mercado da KCM Trade. “Os traders estão observando os eventos entre os EUA e o Irã, com os recentes exercícios deste último fazendo apenas o suficiente para embotar quaisquer sinais de apetite pelo risco.”

PUBLICIDADE

Trump ameaçou atacar a República Islâmica, a menos que ela concorde com um acordo para restringir o programa nuclear de Teerã em troca de alívio das sanções. Ele mobilizou navios de guerra e jatos de combate perto do Irã em resposta à recente repressão mortal do regime após protestos em massa.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, manteve conversações com o chefe do órgão de vigilância atômica da ONU em Genebra na segunda-feira, antes de uma segunda rodada de negociações nucleares com os EUA.

O que dizem os estrategistas da Bloomberg: “Pode ser difícil confiar nos movimentos de terça-feira, com os feriados nos EUA e na Ásia drenando a liquidez, mas os investidores que estão por perto parecem estar em um clima de cautela, na melhor das hipóteses. Com os metais preciosos também em baixa, há sinais de que os ferimentos no sentimento estão persistindo desde os episódios do final de janeiro, quando o ouro e a prata derreteram junto com as ações”, escreveu Garfield Reynolds, Líder da Equipe MLIV.

PUBLICIDADE

Os investidores que buscam pistas sobre a trajetória das taxas do Fed estarão acompanhando o Governador Michael Barr quando ele falar na terça-feira sobre o mercado de trabalho e a IA, enquanto a Presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, discute a IA e a economia. Os investidores também estarão atentos aos números da folha de pagamento privada da ADP na terça-feira e à ata da reunião de janeiro do Fed na quarta-feira, para uma nova leitura da economia.

As ações asiáticas caíram em negociações fracas, com a China, Hong Kong e vários mercados regionais fechados para o Ano Novo Lunar.

Em outros mercados, os metais preciosos caíram, com o ouro à vista chegando perto de US$ 4.900 a onça. A prata caiu 2,6% e a platina 1,7%. O Bitcoin caiu, sendo negociado em torno de US$ 68.400.

PUBLICIDADE

Assine a newsletter matinal Breakfast, uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque em negócios e finanças no Brasil e no mundo.

-- Com informações da Bloomberg News.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

Por que o mercado brasileiro ignora o jerez, vinho preferido de sommeliers e enófilos