Bank of America vê ‘pelo menos’ dez IPOs de empresas brasileiras em 2027

Para Bruno Saraiva e Hans Lin, que lideram a área de investment banking para o Brasil no banco, o cenário para o mercado de capitais continua construtivo, apesar da volatilidade com guerra e eleições

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Bloomberg Línea — O Bank of America avalia que existe apetite para a realização “pelo menos” dez ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) de empresas brasileiras em 2027, de acordo com Bruno Saraiva, co-head de Investment Banking Brasil e head de Equity Capital Markets (ECM) para América Latina.

Segundo ele, isso representaria “com conforto” um volume financeiro de aproximadamente R$ 50 bilhões em atividade em IPOs, follow-ons e block trades, envolvendo empresas brasileiras seja no mercado doméstico, seja no exterior.

“Tem pipeline para isso? Tem. Pode ser inclusive maior que isso”, disse Saraiva, durante conversa com jornalistas nesta terça-feira (26), em São Paulo. “Isso significa que tem atividade, tem companhias com diversos valores sendo preparadas para o ano de 2027.”

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O executivo se baseia na visão de que, apesar da volatilidade causada pela guerra no Irã e pela proximidade das eleições no Brasil, o cenário para o mercado brasileiro continua construtivo.

A perspectiva é de que a tendência de queda de juros foi postergada – e não encerrada –, em razão do aumento da inflação sob efeitos da guerra.

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O banco de Wall Street continua a ver um cenário de dólar fraco e com maior fluxo para mercados emergentes, o que beneficia o Brasil. O também país tem condições favoráveis para atrair capital, com desemprego nas mínimas e atividade econômica em expansão, além do fato de ser um país exportador de commodities.

Saraiva vê também uma chance razoável de um ajuste fiscal no próximo governo, independentemente do candidato que sair vitorioso, o que também tende a impulsionar o mercado no ano que vem.

“O que a gente veria de uma atividade muito robusta em 2026, a gente está vendo uma atividade muito mais robusta em 2027″, afirmou.

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A visão do BofA é de que hoje o pipeline de empresas brasileiras para abertura de capital está mais equilibrado entre ofertas no exterior e no Brasil. Mas em um prazo de um ano e meio a dois anos, a perspectiva é de um pipeline “muito maior” para a B3, de acordo com Hans Lin, co-head de Investment Banking Brasil, na mesma entrevista.

Depois de anos sem aberturas de capital de empresas brasileiras, o mercado voltou a registrar maior atividade em 2026 com os IPOs de PicPay e Agibank, nos Estados Unidos, e da Compass, do grupo Cosan, no início de maio.

Segundo os executivos, é possível que ainda haja mais uma operação neste ano, antes das eleições, mas a maior parte das companhias no pipeline do banco estão sendo preparadas para o período pós-eleitoral.

Em relação aos setores de maior potencial, Saraiva apontou que o BofA tem trabalhado em operações de empresas dos segmentos de real estate, consumo, infraestrutura e varejo.

“Por isso que nos próximos 12 a 24 meses, eu vejo muito mais IPOs na B3, por causa da multiplicidade de setores que a B3 vai abraçar. E lá fora, são empresas de alto crescimento e tecnologia, que também inclui fintechs”, disse Saraiva.

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