Bloomberg — As bolsas de valores asiáticas estão prontas para abrir em baixa nesta manhã de quarta-feira (16) após quedas amplas nos EUA, já que as preocupações com a inflação e o crescimento enfraquecem o apetite ao risco.
Os futuros de benchmarks de ações na Austrália, no Japão e em Hong Kong caíram. O S&P 500, o Nasdaq 100 e o Dow Jones Industrial Average terminaram perto dos patamares mínimos da sessão na terça (15). Os contratos futuros dos EUA pouco mudaram no início das negociações na Ásia.
Um sell off no final do dia empurrou o S&P 500 abaixo de seu nível médio nos últimos 50 dias pela primeira vez desde março, interrompendo uma sequência de impulso que foi, por essa medida, a mais longa desde setembro de 2020.
As ações caíram depois que as vendas no varejo nos EUA em julho ficaram acima das previsões do mercado, reforçando o cenário para o Federal Reserve aumentar as taxas de juros por mais tempo. Essa mensagem foi reforçada pelo presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, que disse que, embora a inflação esteja em queda, “ainda está muito alta”.
Os títulos do Tesouro tiveram desempenho misto, pois os investidores aproveitaram as taxas de curto prazo elevadas.
Após os dados das vendas no varejo, os rendimentos dos títulos de dois anos subiram brevemente acima de 5%, um nível em que não fechava desde o início de março, antes de reverter o curso. Os rendimentos de 10 e 30 anos subiram para os níveis mais altos desde outubro de 2022.
Rhys Williams, estrategista-chefe da Spouting Rock Asset Management, está cético de que a inflação possa ser reduzida e permanecer na meta de 2% do banco central este ano.
“Os dados mais recentes – vendas no varejo – mostram que a economia ainda está muito bem”, disse Williams. “Claramente a economia está melhor do que se esperava há seis meses.”
O setor financeiro pesou no índice de referência mais amplo após um alerta da Fitch Ratings de que a empresa pode rebaixar bancos maiores como JPMorgan Chase ou Bank of America.
Em outros mercados, os problemas econômicos da China permaneceram em foco, com as ações de empresas do país listadas nos EUA em queda pelo terceiro dia.
O JPMorgan reduziu sua previsão de crescimento econômico para o ano inteiro para a China de 5% para 4,8%, após uma série de dados decepcionantes para julho. Separadamente, alguns analistas especularam que o corte inesperado da taxa de juros da China na terça pode precisar de mais medidas para reavivar a confiança. E o Macquarie Group reduziu as estimativas para o yuan.
Enquanto os investidores navegam em um ambiente com um Fed hawkish e uma desaceleração na China, uma desvalorização na Argentina e o aumento emergencial da taxa de juros da Rússia na terça-feira para conter a queda do rublo aumentaram o sentimento de aversão ao risco.
Ainda assim, a mais recente pesquisa global do Bank of America com gestores de fundos revelou que os investidores estão no nível menos pessimista em relação às ações desde fevereiro do ano passado, antes de o Fed iniciar um dos ciclos de aperto monetário mais agressivo em décadas.
Eles esperam cada vez mais que não haja recessão nos próximos 18 meses; e dizem acreditar em um soft landing nos próximos 12 meses como o cenário básico, segundo escreveram estrategistas do BofA liderados por Michael Hartnett em nota.
Nesta quarta-feira na Ásia, o Reserve Bank of New Zealand provavelmente manterá as taxas inalteradas, mas enviará um sinal hawkish para conter as expectativas de inflação elevadas, de acordo com a Bloomberg Economics.
No Ocidente, a ata da reunião do Fed de julho será divulgada nesta tarde de quarta-feira.
Veja mais em Bloomberg.com
Leia também
Gestores dobram apostas em Ibovespa acima dos 130 mil pontos, aponta pesquisa