Aposta em opções de Ibovespa dispara após pesquisas apontarem eleição mais apertada

Contratos que apostam no índice aos 200 mil pontos após o segundo turno registram forte aumento diante do estreitamento da disputa eleitoral; mercado busca exposição assimétrica a um eventual rali dos ativos brasileiros, caso a eleição resulte em mudança na condução da política econômica

Por

Bloomberg — A percepção de que a disputa eleitoral está mais apertada provoca uma onda de compra de contratos de opções no mercado, com o objetivo de capturar um eventual rali da bolsa em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, visto como mais alinhado aos interesses dos investidores.

As opções de Ibovespa e do EWZ, o ETF que replica o índice MSCI Brasil, viram a demanda disparar nos últimos dias, diante das pesquisas mais recentes que mostram uma redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa.

As opções que apostam na alta do índice local para 200 mil pontos com vencimento em novembro de 2026, portanto passado o segundo turno, registraram um aumento de 4,5 milhões de contratos em aberto na terça-feira, para 5,6 milhões. O Ibovespa opera atualmente ao redor dos 175 mil pontos, depois de seis altas seguidas.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Enquanto isso, o volume de opções de compra do EWZ saltou na terça-feira para o maior nível desde dezembro, com grandes compras de spreads de calls apontando para apostas institucionais em novas altas.

“O mercado está começando a acreditar que as chances de Lula não são tão grandes”, diz João Luiz Braga, gestor da Encore Asset Management.

Investidores costumam recorrer a opções para proteger suas carteiras antes de eventos de alta incerteza. As eleições são lidas como um divisor do apetite a risco pelo mercado financeiro, que veem a necessidade de um ajuste da trajetória fiscal como necessário para abrir espaço a juros menores.

“O mercado hoje embute um grau relevante de pessimismo nos preços dos ativos brasileiros, ao mesmo tempo em que temos pela frente um evento eleitoral com características bastante binárias”, diz Rodrigo Santoro, head de ações da Bradesco Asset Management.

Leia também: Governo chega a acordo com Congresso para levar adiante agenda eleitoral

Nesse contexto, esse tipo de operação “ganha atratividade porque permite construir uma exposição assimétrica: participar de uma eventual reprecificação positiva da bolsa, limitando previamente o capital em risco”.

A pesquisa do BTG Pactual/Nexus divulgada na segunda-feira mostrou diferença de um ponto percentual entre os dois principais candidatos. A recuperação ocorreu depois de Lula abrir vantagem sobre o filho de Jair Bolsonaro nos últimos meses, desde o vazamento de áudios que ligaram Flávio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro — ele nega irregularidades.

A corrida às opções neste momento também é influenciada pela proximidade das eleições, que acontecem em outubro.

“Para uma opção que tem a eleição com um resultado que pode ser materialmente diferente em termos de política fiscal, e portanto juros e preços de ativos reais, isso fica muito caro em prazos maiores”, diz Ricardo Campos, CEO na Reach Capital.

Leia também: Influenciadores criados com IA avançam na política e desafiam regras eleitorais no país

Os investidores têm aumentado a sensibilidade ao período eleitoral conforme o dia da votação se aproxima. Há duas semanas, a bolsa sofreu uma rápida deterioração com um forte fluxo de saída de estrangeiros em razão do rebaixamento das ações brasileiras pelo JPMorgan, diante do receio de volatilidade com as eleições. Nesta semana, o Morgan Stanley também revisou para baixo a recomendação dos papéis locais em meio a incertezas fiscais com o resultado.

A opção também é vista como uma forma de limitar perdas com a aposta, diante de uma visão de que Lula, embora menos, segue favorito. Ele lidera as pesquisas há meses e plataformas de apostas como Polymarket e Kalshi apontam suas chances em cerca de 60% — a mesma probabilidade atribuída pelo Eurasia Group.

“Fazendo via opção é como comprar um seguro”, diz Braga. “Se o cenário positivo para o mercado se confirmar, eles ganham bastante, se der o outro cenário, só perdem o prêmio exatamente como em um seguro de carro.”

Veja mais em bloomberg.com