Após pressão de Trump, BC da Coreia do Sul defende intervir para conter queda do won

O presidente do banco central, Rhee Chang-yong, defendeu a intervenção para conter a fraqueza da moeda e acrescentou que o won fez parte das negociações com o governo dos EUA - uma moeda local mais forte favorece as exportações americanas

Rhee Chang-yong, presidente do banco central da Coreia do Sul: visão de que pode ser necessário agir para fortalecer o won
Por Jaehyun Eom
29 de Agosto, 2025 | 08:59 AM

Bloomberg — O won sul-coreano ganhou valor depois que o presidente do banco central, Rhee Chang-yong, defendeu a intervenção da autoridade monetária para conter a fraqueza da moeda. Ele acrescentou que a cotação do won fez parte das negociações com o governo dos Estados Unidos, de Donald Trump.

O won avançou até 0,6% na quinta-feira (28), para 1.386,35 por dólar, com os ganhos se acelerando após os comentários de Rhee em uma entrevista coletiva após a decisão do banco central de manter as taxas de juros inalteradas.

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Os EUA podem considerar os esforços de intervenção da Coreia do Sul como “desejáveis”, disse Rhee, acrescentando que o Tesouro dos EUA mantém discussões sobre câmbio com várias nações asiáticas, incluindo a Coreia do Sul.

Os comentários de Rhee acrescentam contexto às especulações do mercado de que o governo Trump buscou um dólar mais fraco como parte das negociações comerciais - o que aumenta a competitividade das exportações do país.

O won subiu em julho após relatos da mídia local de que o principal aliado de Seul havia pressionado por uma valorização da moeda coreana.

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Embora o won tenha se valorizado mais de 6% em relação ao dólar neste ano, ele ainda é uma das moedas mais subvalorizadas do mundo, juntamente com o yuan chinês e a rupia indonésia, com base em sua taxa de câmbio real efetiva.

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O banco central provavelmente estava “tentando aplacar os EUA em meio às negociações sobre tarifas entre os EUA e a Coreia”, escreveu Duncan Wrigley, economista-chefe para a China da Pantheon Macroeconomics, em nota.

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O BOK pode realizar outro corte de 25 pontos-base no quarto trimestre se o Federal Reserve afrouxar a sua política monetária em setembro, já que isso daria às autoridades coreanas mais espaço para fazer o mesmo sem alimentar especulações de que eles buscam um won mais fraco, disse ele.

O Banco da Coreia manteve sua taxa de recompra de sete dias em 2,50% na quinta-feira, enquanto elevou sua previsão de crescimento para o ano para 0,9%.

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