Bloomberg — As ações da Europa operam em alta nesta quinta-feira (22), depois que o presidente Donald Trump minimizou suas ameaças de tarifas contra o bloco.
O índice Stoxx 600 avançou 1,1%, acompanhando os ganhos nos EUA e na Ásia, e caminha para sua primeira alta diária da semana.
Montadoras e fabricantes de autopeças lideraram os ganhos, com a Volkswagen saltando 5,2%. Os futuros dos EUA também subiram, sinalizando que o rali pode continuar.
As ações globais de semicondutores avançaram após comentários do CEO da Nvidia, Jensen Huang, em Davos, reforçarem o entusiasmo com o tema da inteligência artificial.
Na Ásia, a fornecedora da Nvidia disparou 17% no Japão, enquanto a Samsung Electronics subiu 2,3%. O índice de referência da Coreia do Sul — um termômetro para ações de tecnologia — atingiu novo recorde.
O tom positivo nas bolsas não se traduziu integralmente em menor demanda por ativos de proteção: o ouro ficou praticamente estável perto de uma máxima histórica e caminha para a melhor semana em três meses. O dólar e os Treasuries dos EUA tiveram pouca variação.
O apetite por risco voltou às ações depois que Trump descartou o uso de força militar para assumir o controle da Groenlândia e disse que se absteria de impor tarifas à Europa, citando um acordo “estrutural”. Investidores interpretaram os comentários como sinal de arrefecimento das tensões geopolíticas e comerciais que haviam provocado uma retirada global de ativos de risco.
Ações sobem após Trump recuar de tarifas ligadas à Groenlândia
“A confiança no ‘Trump Put’ se fortaleceu”, escreveu Dilin Wu, estrategista do Pepperstone Group. A decisão do presidente levou a uma “rápida recomposição da exposição a risco que havia sido reduzida em meio ao ruído político. A compra na queda voltou a ganhar tração”.
Em outros mercados, os títulos do governo japonês se recuperaram pela segunda sessão consecutiva. O bitcoin era negociado em torno de US$ 90.000.
Sobre a Groenlândia, Trump não detalhou os parâmetros do chamado “framework”, e não ficou claro o que o acordo envolve. Mais tarde, o presidente afirmou que divulgaria os detalhes em breve.
O que dizem os estrategistas da Bloomberg…Os desdobramentos sobre a Groenlândia devolveram as ações ao seu padrão: um mercado que tende a subir à medida que o otimismo com a reaceleração do crescimento se amplia. A queda da volatilidade indica que o prêmio de medo acumulado na terça-feira recuou rapidamente.— Michael Ball, estrategista macro, Markets Live.
A decisão de Trump marcou uma reversão clara para um presidente que vinha tentando pressionar a Europa em relação à Groenlândia.
O movimento ocorreu após uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em Davos.
A estratégia de confronto de Trump sobre a Groenlândia havia desencadeado uma crise diplomática com a Europa que abalou os mercados financeiros. No início da semana, ações, títulos e o dólar caíram, enquanto o bitcoin despencou em meio ao impasse.
“O discurso de Trump em Davos trouxe algum alívio ao indicar que os EUA não conduzirão operações militares para invadir a Groenlândia”, disse Amir Anvarzadeh, estrategista de ações da Asymmetric Advisors.
“No geral, foi um resultado razoavelmente positivo do ponto de vista do mercado.”
Veja a seguir outros destaques desta manhã de quinta-feira (22 de janeiro):
- Futuro do Fed. Trump disse que Jerome Powell não aproveitaria seu mandato se permanecesse no Conselho de Governadores do Federal Reserve após o término de seu mandato em maio. O presidente americano disse que “se isso acontecer, sua vida não será muito, muito feliz”.
- Petróleo na Venezuela. O Parlamento do país estuda pôr fim ao monopólio estatal e permitir que empresas privadas produzam e comercializem petróleo no país. A proposta prevê a redução dos royalties de 33% para 20%, além de ampliar a autonomia das petroleiras e diminuir o papel da estatal PDVSA.
- Novo patamar para o ouro? O Goldman Sachs Group ajustou em mais de 10% sua projeção para o ouro e passou a ver o metal precioso a US$ 5.400 a onça em dezembro de 2026, ante US$ 4.900. No acumulado dos últimos 12 meses, o ouro subiu 70%, com impulso de tensões globais, incertezas fiscais e monetárias.

🔘 As bolsas ontem (21/01): Dow Jones Industrials (+1,21%), S&P 500 (+1,16%), Nasdaq Composite (+1,18%), Stoxx 600 (-0,02%), Ibovespa (+3,33%)
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-- Com informações da Bloomberg News.
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