Bloomberg — As ações globais operam em alta nesta sexta-feira (9), enquanto investidores se preparam para o relatório de emprego dos EUA (payroll) de dezembro e para uma possível decisão da Suprema Corte sobre as tarifas do presidente Donald Trump.
O dólar subiu para o maior nível em um mês e caminhava para a melhor semana desde novembro, com o iene liderando as perdas entre os principais pares. As ações europeias avançaram 0,4%. A Glencore disparou 7% em Londres após retomar conversas com o Rio Tinto Group sobre uma aquisição. Os contratos do S&P 500 ficaram praticamente estáveis.
Os investidores se preparam para dois eventos de risco em sequência nesta sexta-feira que podem influenciar o humor dos mercados no curto prazo, marcando um dos maiores testes para as ações globais desde a recuperação após o tombo de abril causado por tarifas. Os dados de emprego dos EUA de dezembro são especialmente relevantes pelos sinais que podem trazer sobre o rumo dos juros pelo Federal Reserve.
“Os mercados estão claramente oscilando um pouco antes dos números de emprego dos EUA desta noite e das preocupações com a decisão da Suprema Corte”, disse Nick Twidale, analista-chefe de mercado da AT Global Markets. “Há um otimismo cauteloso no geral, mas precisamos de mais estabilidade no front geopolítico e de mais informações vindas dos EUA após a névoa nos dados causada pela paralisação do governo.”
Dólar em alta em janeiro
Economistas consultados pela Bloomberg estimam a criação de 70 mil vagas na economia americana em dezembro, levemente acima do mês anterior, enquanto a taxa de desemprego deve cair para 4,5%. Os mercados precificam integralmente pelo menos dois cortes de 0,25 ponto percentual pelo Fed em 2026, com maior probabilidade de um primeiro corte em abril.
A Suprema Corte também pode decidir já na sexta-feira o destino da maior parte das tarifas de Trump. Centenas de empresas já se alinharam na expectativa de recuperar parte dos bilhões de dólares pagos em tarifas até agora.
“Às vésperas do payroll e de uma possível decisão da Suprema Corte sobre as ‘tarifas recíprocas’, os mercados estão em modo cautela”, escreveu Vishnu Varathan, chefe de pesquisa macro para Ásia ex-Japão do Mizuho Securities, em nota.
O que dizem os estrategistas da Bloomberg…A disposição de Trump de intervir diretamente nos negócios cresce a cada dia e ameaça corroer o impulso de ações e títulos. Isso representa um possível vento contrário para os mercados globais, com ativos dos EUA pouco propensos a uma alta decisiva enquanto persistirem distrações presidenciais.— Garfield Reynolds, líder da equipe Asia MLIV. Para análise completa, clique aqui.
O ponto central da decisão da Suprema Corte será saber se há um caminho claro para manter intactas as receitas passadas e futuras com tarifas, o que seria positivo para o dólar, escreveu Steve Englander, chefe de pesquisa global de câmbio G-10 do Standard Chartered Bank, em nota a clientes.
Em outros mercados, o petróleo ampliou ganhos enquanto investidores monitoravam desdobramentos na Venezuela e no Irã. Prata e ouro tiveram pouca variação.
Mais cedo, títulos hipotecários avançaram e ações de financiadoras imobiliárias nos EUA subiram após a iniciativa de Trump para reduzir o custo da habitação. Há cerca de US$ 9 trilhões em títulos hipotecários de agências em circulação.
Veja a seguir outros destaques desta manhã de sexta-feira (9 de janeiro):
- LG Energy Solution frustra expectativas. A companhia registrou prejuízo operacional preliminar de 122 bilhões de wons no quarto trimestre, aquém das expectativas de analistas consultados pela Bloomberg News. A empresa tem enfrentado cancelamentos de contratos e aposta em sistemas de armazenamento de energia (ESS) para reequilibrar o portfólio.
- EUA reconhece liquidação do Master. O juiz americano Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, reconheceu nesta quinta-feira (8) o processo de liquidação do Banco Master nos Estados Unidos. A decisão determina o bloqueio de ativos da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro no país, segundo informações do jornal Valor.
- J&J adere a acordo de preço nos EUA. A Johnson & Johnson firmou acordo com o governo dos EUA para reduzir preços de medicamentos a alguns americanos, em troca de isenção de tarifas. A farmacêutica se comprometeu a vender remédios ao Medicaid a preços alinhados aos de países desenvolvidos e participará do futuro site TrumpRx.

🔘 As bolsas ontem (08/01): Dow Jones Industrials (+0,55%), S&P 500 (+0,01%), Nasdaq Composite (-0,44%), Stoxx 600 (-0,19%), Ibovespa (+0,59%)
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-- Com informações da Bloomberg News.
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