Ações globais recuam com sell-off em ouro e prata e incertezas sobre o futuro do Fed

Ouro caminha para a maior queda em três dias desde 1980, em um movimento que amplia a volatilidade nos mercados globais; petróleo WTI cai 5%

NO RADAR DOS MERCADOS
02 de Fevereiro, 2026 | 06:56 AM

Bloomberg — As ações globais operam em queda nesta segunda-feira (2), à medida que o sell-off do ouro e da prata intensificou a fuga de ativos considerados mais arriscados.

Os futuros do S&P 500 indicavam abertura em queda de 0,7%, após o índice ter recuado até 1,5%. O ouro caminhava para a mais acentuada queda de três dias desde 1980, enquanto um rali recorde se desfazia em velocidade vertiginosa. A prata ampliou as perdas para 40% no mesmo período.

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Os Treasuries registraram ganhos modestos, com o rendimento do título de 10 anos caindo dois pontos-base, para 4,22%. O dólar manteve os ganhos de sexta-feira. O bitcoin se estabilizou perto de US$ 77.000 após a queda do fim de semana.

“Os mercados estão nervosos”, disse Ulrich Urbahn, chefe de estratégia e pesquisa multiactivos do Berenberg.

“Vemos uma liquidação ampla nos mercados da Ásia, Europa e EUA. Com o aumento da volatilidade no ouro e também na prata, os investidores precisam reduzir risco.”

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O índice MSCI All Country World recuou 0,5%, enquanto o indicador asiático caiu 2,1%. O Kospi, da Coreia do Sul — considerado um termômetro do setor de IA — despencou 5,3%. As perdas nas ações europeias foram mais moderadas.

A movimentação desta segunda-feira aponta para uma instabilidade crescente após um longo rali dos metais e sucessivas máximas históricas nas ações, impulsionadas por bilhões em investimentos em inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, os investidores reavaliam valuations e recalibram expectativas para a política monetária sob um possível Fed liderado por Warsh.

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Com a escolha de Warsh — economista conhecido tanto por críticas duras ao banco central quanto por suas visões sobre política monetária —, o debate mudou abruptamente das taxas de curto prazo para o balanço de US$ 6,6 trilhões do Fed e para o próprio papel da instituição nos mercados.

Se confirmado pelo Senado, o ex-diretor do Fed sucederá Jerome Powell quando seu mandato terminar em maio.

Warsh, de 55 anos, alinhou-se a Trump em 2025 ao defender publicamente juros mais baixos, contrariando sua reputação de longo prazo como “falcão” da inflação. O presidente dos EUA disse na sexta-feira que não pediu a Warsh qualquer compromisso com cortes.

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“Os investidores estão preocupados com juros ‘altos por mais tempo’”, afirmou Francis Tan, estrategista-chefe para a Ásia do Indosuez.

“A confusão do mercado é se Trump vai pressionar para colocar mais ‘pombos’ via Warsh. Isso gera volatilidade entre classes de ativos e regiões.”

As perdas em tecnologia vieram depois de o CEO da Nvidia, Jensen Huang, dizer que o proposto investimento de US$ 100 bilhões na OpenAI “nunca foi um compromisso” e que a empresa avaliaria rodadas de financiamento “uma de cada vez”.

“Os comentários de Jensen provavelmente tiveram impacto no sentimento de curto prazo, especialmente em nomes expostos à IA que subiram forte”, disse Gary Tan, gestor da Allspring Global Investments.

“As declarações serviram sobretudo como catalisador para realização de lucros, à medida que vemos o desmonte de posições concentradas no mercado.”

No noticiário político, o governo dos EUA entrou em um shutdown parcial no sábado enquanto aguardava a aprovação, pela Câmara, de um acordo orçamentário negociado por Trump com democratas após comoção nacional pela morte de um cidadão americano por agentes da Patrulha de Fronteira em Minneapolis.

O petróleo Brent despencou até 7,4%, enquanto o cobre caiu mais de 5%.

“O sentimento ficou defensivo — mas é mais ajuste de risco do que pânico”, disse Billy Leung, estrategista de investimentos da Global X Management. “No geral, o sentimento é fraco.”

Veja a seguir outros destaques desta manhã de segunda-feira (02 de fevereiro):

- Sucessão na Disney avança. O conselho da Walt Disney se prepara para votar pela promoção de Josh D’Amaro a CEO, em um movimento que busca encerrar um processo de sucessão que se arrasta há três anos. Caso seja confirmado, o executivo, que lidera a divisão de parques e experiências, assumirá o comando no lugar de Bob Iger.

- Eleições na Costa Rica. A candidata do partido governista, Laura Fernández, venceu as eleições no primeiro turno com uma agenda de repressão dura ao crime, em meio à escalada da violência ligada ao tráfico de drogas. Ela também prometeu penas mais severas, reformas no Judiciário e maior cooperação com os EUA.

- Oracle vai ao mercado. A big tech planeja captar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões em dívida e ações para expandir sua infraestrutura de nuvem e atender à forte demanda ligada à inteligência artificial. A aposta é que o financiamento sustente contratos com grandes clientes de IA, como OpenAI, Nvidia e Meta.

Ações globais 02/02/26
🔘 As bolsas na sexta-feira (30/01): Dow Jones Industrials (-0,36%), S&P 500 (-0,43%), Nasdaq Composite (-0,94%), Stoxx 600 (+0,64%), Ibovespa (-0,97%)

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-- Com informações da Bloomberg News.

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