Ações globais ensaiam recuperação após selloff ligado à IA; bitcoin recua mais de 2%

Futuros do S&P 500 sobem após queda de 1% na véspera, enquanto o temor com o impacto da inteligência artificial se espalha para além do setor de tecnologia e atinge crédito, seguros e cibersegurança

NO RADAR DOS MERCADOS
24 de Fevereiro, 2026 | 06:48 AM

Bloomberg — As ações globais ensaiam uma recuperação nesta terça-feira (24), após uma onda de vendas generalizadas desencadeada por temores sobre o impacto disruptivo da inteligência artificial em diversos setores do mercado.

Os futuros do S&P 500 subiram 0,2% nesta terça-feira, após o índice cair 1% na sessão anterior, na esteira de um relatório da Citrini Research que apontou possíveis mudanças estruturais impulsionadas pela IA.

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Ativos considerados mais seguros, como Treasuries e ouro, recuaram levemente, mas mantiveram a maior parte dos ganhos de segunda-feira. O iene caiu após a primeira-ministra Sanae Takaichi se opor a novos aumentos de juros.

O chamado “AI scare trade” virou tema dominante nas bolsas, com vendas se espalhando além do setor de software para corretoras de seguros, crédito privado, cibersegurança e até serviços imobiliários. Esse movimento é parte de mudanças mais amplas sob a superfície do mercado americano, que pouco varia em 2026 após anos de rali liderado por tecnologia.

Investidores também monitoram outros riscos, como incertezas comerciais e tensões entre EUA e Irã. A atenção desta terça se volta ao discurso do presidente Donald Trump sobre o Estado da União e a novos dados de confiança do consumidor, que na leitura anterior caíram ao menor nível desde 2014.

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“A narrativa de vencedores e perdedores da IA deve pairar sobre os mercados por algum tempo, mas acreditamos que, especialmente as empresas de software e fornecedoras de dados, estão tão sobrevendidas que isso criou uma oportunidade de compra única em uma década”, disse Joachim Klement, chefe de estratégia da Panmure Liberum. “A maioria dos chamados perdedores da IA não será tão impactada assim.”

Veja a seguir outros destaques desta manhã de terça-feira (24 de fevereiro):

- Pequim na mira da Shein. A gigante chinesa do fast fashion vai investir US$ 1,45 bilhão em sua cadeia de suprimentos na China para reforçar laços com Pequim em busca de destravar uma oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong. A Shein enfrenta queda nas vendas nos EUA e crescente pressão regulatória no Ocidente.

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- Disputa pela Warner. A Paramount Skydance elevou a oferta pela Warner Bros, em desafio ao acordo já fechado com a Netflix, segundo fontes que falaram à Bloomberg News. A Warner, por sua vez, teria reaberto as negociações por uma semana e, se considerar a nova proposta superior, dará à Netflix quatro dias para cobrir a oferta.

- Tarifas sob escrutínio da UE. A União Europeia concluiu, em avaliação, que a nova tarifa global de 15% anunciada por Donald Trump, somada às taxas já em vigor, pode elevar os impostos sobre exportações do bloco acima do limite previsto no acordo bilateral firmado entre os EUA e a UE.

Ações globais 24/02/26
🔘 As bolsas ontem (23/02): Dow Jones Industrials (-1,66%), S&P 500 (-1,04%), Nasdaq Composite (-1,13%), Stoxx 600 (-0,45%), Ibovespa (-0,88%)

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-- Com informações da Bloomberg News.

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