Bloomberg — As ações globais operam em queda nesta segunda-feira (9), enquanto o petróleo WTI ultrapassa US$ 90 por barril, à medida que a guerra no Oriente Médio eleva as tensões nos mercados de energia. O movimento pressiona os títulos e impulsiona o dólar ao nível mais alto desde janeiro, em meio ao temor de um novo choque inflacionário.
Os futuros do S&P 500 recuaram 1,3%, com os lados opostos no conflito envolvendo o Irã mostrando poucos sinais de recuo. O Brent disparou 15%, para US$ 107 o barril, após produtores do Oriente Médio cortarem a produção, aprofundando temores de um choque inflacionário e elevando o rendimento dos Treasuries de 10 anos em cinco pontos-base, para 4,19%. O dólar avançou 0,6%.
O índice europeu de ações blue chips caminhava para uma correção. A venda de títulos públicos na região foi mais intensa do que nos EUA, à medida que traders passaram a precificar altas de 50 pontos-base nas taxas do Banco Central Europeu neste ano e mais de 50% de chance de aumento pelo Banco da Inglaterra. Há menos de duas semanas, o mercado esperava que o BCE mantivesse as taxas estáveis em 2026.
Estados Unidos e Irã parecem se preparar para um conflito potencialmente prolongado. O Irã nomeou o filho do falecido aiatolá Ali Khamenei como novo líder supremo, enquanto o presidente Donald Trump afirmou que preços mais altos do petróleo seriam “um preço muito pequeno a pagar” pela segurança. Ainda assim, a possibilidade de uma liberação coordenada de reservas de petróleo ajudou a reduzir parte das perdas mais fortes da sessão.
“Brent acima de US$ 100 representa um risco real para a inflação e a economia”, disse Andrea Gabellone, chefe global de ações da KBC Securities. “A economia da União Europeia é a mais vulnerável, com um duplo impacto da disparada nos preços do petróleo e do gás — e não podemos esquecer outra guerra mais perto de casa.”
Veja a seguir outros destaques desta manhã de segunda-feira (9 de março):
- Mercado de petróleo. A Saudi Aramco abriu licitações para vender cerca de 4,6 milhões de barris de petróleo após o bloqueio do Estreito de Ormuz durante a guerra no Oriente Médio interromper rotas de exportação. Com os embarques pelo Golfo Pérsico comprometidos, houve um redirecionamento dos fluxos pelo Mar Vermelho.
- Renault sob pressão. O novo CEO, François Provost, prepara um plano para reduzir custos e aproximar a montadora da eficiência das rivais chinesas. Analistas, porém, dizem que apenas cortar despesas pode não resolver a queda nas vendas e a desvalorização de cerca de 20% das ações no acumulado do ano.
- UBS ajusta bônus. O banco aumentou em 10% o pool de bônus, à medida que a integração do Credit Suisse se aproxima do fim. A remuneração do CEO do grupo, Sergio Ermotti, se manteve estável em 14,9 milhões de francos suíços em 2025. O banco atribuiu o ajuste dos bônus ao melhor desempenho financeiro.

🔘 As bolsas na sexta-feira (06/03): Dow Jones Industrials (-0,95%), S&P 500 (-1,33%), Nasdaq Composite (-1,59%), Stoxx 600 (-1,02%), Ibovespa (-0,61%)
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-- Com informações da Bloomberg News.
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