Bloomberg Línea — A partida que reúne as “lendas” do futebol de Brasil e México, marcada para este domingo (19), será o teste de fogo do sistema cashless do Estádio Banorte (antigo Estádio Azteca) antes da Copa do Mundo 2026, de acordo com uma das empresas por trás do novo ecossistema de pagamentos sem dinheiro físico.
A reinauguração do estádio, no amistoso entre México e Portugal no dia 28 de março, recebeu mais de 81.000 pessoas e provocou uma sobrecarga na rede, o que impediu temporariamente os pagamentos com cartão e obrigou o local a voltar a aceitar dinheiro em espécie para a compra de alimentos e bebidas.
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A explicação é de Arturo Halgraves, CEO da Puntored no país, em entrevista à Bloomberg Línea.
O executivo mencionou que em partidas subsequentes, como a do Club América contra o Cruz Azul, com 46.000 torcedores, não houve complicações. Mas o jogo que reunirá ex-jogadores famosos como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Adriano, Lúcio, Júlio César e Djalminha, além dos mexicanos Cuauhtémoc Blanco, Rafael Márquez e Antonio Naelson, o “Sinha”, deve atrair quase o dobro de público.
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“No domingo temos um México-Brasil que também vai estar lotado. A expectativa é de mais de 80.000 espectadores. Então esse pode vir a ser o teste de fogo”, afirmou Halgraves.
O executivo afirmou que a intermitência nos pagamentos com cartão registrada em março foi solucionada e disse confiar que algo similar não voltará a ocorrer.
Em poucas semanas, o antigo Estádio Azteca será sede de cinco partidas da Copa do Mundo FIFA 2026, incluindo a cerimônia de abertura do torneio, em 11 de junho.
Do dinheiro ao cartão
A Puntored é uma fintech de origem colombiana que, em parceria com a plataforma KeepCash, está por trás da infraestrutura do ecossistema cashless do estádio recém-reformado, onde o Banorte atua como banco adquirente.
A empresa também fornece um cartão pré-pago em parceria com o banco mexicano, que permite aos torcedores sem meios de pagamento digital — como cartão de crédito ou débito — depositar dinheiro em espécie no cartão, com valor inicial de 300 pesos mexicanos (aproximadamente R$ 86), para usar nas compras.
Os cartões podem ser recarregados, e o saldo restante não pode ser sacado em dinheiro, mas pode ser utilizado em uma visita futura ao estádio ou em estabelecimentos comerciais parceiros.
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Halgraves afirmou que a implementação do sistema cashless agilizou a operação dentro do estádio tanto para os torcedores quanto para os vendedores de comida e cerveja — que tradicionalmente circulavam pelas arquibancadas com as notas entre os dedos e agora carregam terminais de pagamento.
“Eles precisavam fazer fechamentos de caixa constantemente, ir até depósitos específicos, contar o dinheiro e só então podiam voltar a vender”, explicou o executivo. “Ao eliminar tudo isso, você evita descuadres nessas vendas e ainda permite que eles vendam muito mais — o que é bom para todo mundo.”
O faturamento também está crescendo. Halgraves revelou que no jogo México-Portugal o Estádio Banorte registrou um recorde de vendas de 15 milhões de pesos mexicanos (cerca de R$ 4,3 milhões) em alimentos e bebidas — um aumento de 50% em relação ao máximo anterior.
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