Bloomberg — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que se absteria de impor tarifas sobre produtos de nações europeias que se opõem ao seu esforço para tomar posse da Groenlândia e citou uma “estrutura de um acordo futuro” que ele alcançou em relação à ilha.
A decisão, anunciada por Trump na quarta-feira (21) nas redes sociais, marca uma reviravolta radical para um presidente que tentou repetidamente coagir a Europa nos últimos dias.
A decisão foi tomada após uma reunião com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
Ainda assim, Trump não detalhou os parâmetros da chamada “estrutura” e não ficou claro o que o acordo implica, especialmente porque a Dinamarca, na quarta-feira anterior, descartou negociações sobre a cessão da ilha semiautônoma da Dinamarca aos EUA.
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“Formamos a estrutura de um futuro acordo com relação à Groenlândia e, de fato, a toda a região do Ártico”, postou Trump. “Com base nesse entendimento, não vou impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro.”
As ações dos EUA saltaram com os comentários de Trump sobre a redução de tarifas, enquanto o dólar subiu em relação às principais moedas. Os títulos do Tesouro ampliaram seus ganhos.
O presidente dos EUA disse que haveria discussões adicionais sobre o sistema de defesa antimísseis Golden Dome, que, segundo ele, o controle da Groenlândia pelos EUA é fundamental para apoiar. O vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e “vários outros” serão responsáveis pelas negociações, acrescentou Trump.
As ameaças anteriores de Trump de impor tarifas sobre produtos de oito países europeus no final do mês por causa da questão da Groenlândia agitaram os mercados. Um dia antes, as ações e o dólar caíram antes da queda do presidente.
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Em um discurso em Davos na quarta-feira, Trump descartou o uso de força militar para assumir o controle da ilha. Mesmo antes de Trump chegar à cúpula, as altas autoridades dos EUA falaram sobre as chances de um confronto em relação à ilha.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, incentivou os aliados dos EUA, enfurecidos pelas ameaças de Trump, a “sentar-se” e “respirar fundo”, evitando retaliações. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, prenunciou o recuo durante um painel em Davos, dizendo aos líderes mundiais e da economia reunidos que a situação “terminaria de uma maneira razoável”.
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