Bloomberg Línea — Apenas duas cidades latino-americanas figuraram entre os 100 centros financeiros mais influentes do mundo, de acordo com um novo levantamento elaborado pela Z/Yen Partners e pelo China Development Institute.
Enquanto Santiago do Chile ficou na 91ª posição, com 658 pontos, obtendo uma pontuação de 651, São Paulo ficou na 98ª posição segundo o relatório Global Financial Centres Index 39 (GFCI).
“A liderança de Santiago e São Paulo na América Latina não se explica apenas pelo tamanho de suas economias, mas pela capacidade de oferecer algo escasso na região: previsibilidade”, disse Renato Campos, CEO da Greyhound Trading, à Bloomberg Línea.
“Ambas as cidades concentram decisões financeiras, talentos profissionais e infraestrutura institucional suficiente para sustentar a atividade econômica mesmo em contextos políticos adversos”.
Santiago consolidou sua posição com base na estabilidade regulatória e na integração internacional, e São Paulo o fez com base na escala produtiva e na densidade empresarial.
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Em ambos os casos, observou Campos, a competitividade deixou de ser nacional e passou a ser urbana, na medida em que as oportunidades se concentram onde existem redes econômicas sólidas e capital humano especializado.
No entanto, seu principal desafio já não é crescer, mas sim lidar com as tensões geradas por esse mesmo sucesso.
A desigualdade, a pressão urbana e a segurança serão fatores decisivos para determinar se essas cidades consolidarão sua liderança ou enfrentarão limites sociais ao seu desenvolvimento, observou ele. “Mais do que exceções na região, Santiago e São Paulo antecipam o futuro da América Latina, entendidas como economias cada vez mais definidas por suas cidades e não por seus países”.
Membros da Comunidade do Caribe, como as Bermudas (57º lugar), as Ilhas Cayman (68º lugar) e as Ilhas Virgens Britânicas (97º lugar), também entraram no top 100, mas são territórios britânicos ultramarinos.
Outras cidades da América Latina entraram no ranking:
- Rio de Janeiro (105º lugar): 642 pontos
- Cidade do México (106º lugar): 639
- Bahamas (111º lugar): 631
- Barbados (113º lugar): 623
- Panamá (115º lugar): 616
- Trinidad e Tobago (116º lugar): 605
- Bogotá (119º lugar): 589
- Buenos Aires (120º lugar): 565
A pontuação média no índice diminuiu 2,5% na região, a queda mais acentuada entre todas as áreas analisadas. De fato, oito centros financeiros da região caíram no ranking.
De modo geral, a classificação de quase todas as instituições diminuiu, com uma queda média de 1,82%.
A menor queda foi observada na Europa Oriental e na Ásia Central, onde as notas médias caíram 0,56%.
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Os maiores centros financeiros do mundo
No mundo, a lista é dominada por:
- Nova York: 767 pontos
- Londres: 766
- Hong Kong (Região Administrativa Especial da China): 765
- Cingapura: 764
- São Francisco: 744
- Xangai: 743
- Dubai: 742
- Seul: 741
- Shenzhen: 740
- Tóquio: 739
Os quatro principais centros financeiros têm classificações muito mais altas do que os demais.
Mas, apesar da desglobalização, a atividade financeira não está se concentrando cada vez mais apenas nesses centros seguros, segundo o professor Michael Mainelli, presidente da Z/Yen. “Mesmo assim, com Dubai e Tóquio tirando Chicago e Los Angeles do top 10, a concorrência é acirrada”.
Os dados desta edição do GFCI são anteriores ao atual conflito no Oriente Médio.
“Prevemos que as repercussões econômicas causadas por esse conflito afetarão significativamente as futuras edições do índice”, disse Michael Mainelli.
Para o relatório, foram analisados 137 centros financeiros, dos quais 120 fazem parte do índice principal.
O Índice Global de Centros Financeiros 39 é elaborado com base em 147 indicadores quantitativos, fornecidos por organismos externos como o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e as Nações Unidas.
Esses indicadores são combinados com as avaliações diretas dos centros financeiros, coletadas por meio do questionário on-line do GFCI.
Na 39ª edição do GFCI, foram utilizadas 34.468 avaliações de 5.218 entrevistados.
Os autores do relatório destacam que os centros financeiros da China e dos EUA continuam a ter uma forte presença no setor de fintech, com cinco centros americanos e seis chineses entre os 20 primeiros.
Entre os principais centros de fintechs, Hong Kong ocupa o primeiro lugar, seguido por Shenzhen, Nova York, Cingapura e Londres.
De acordo com o relatório, isso reflete a força contínua de suas economias no desenvolvimento de aplicativos tecnológicos.
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Riqueza proveniente de ativos financeiros na América Latina
Quatro países da América Latina (Chile, México, Brasil e Colômbia) figuraram entre os 50 países mais ricos do mundo em termos de ativos financeiros líquidos per capita em 2024, de acordo com o relatório Allianz Global Wealth Report 2025.
Em 2024, o Chile registrou um patrimônio líquido per capita de € 18.730 (cerca de US$ 21.594), sendo o país mais rico entre os mercados analisados na América Latina e no Caribe.
O Chile ficou na 34ª posição mundial, à frente do México (€ 9.100 ou US$ 10.491) e do Brasil (€ 8.070 ou US$ 9.304), as duas maiores economias do continente.
Entre os 50 primeiros países do ranking mundial também está a Colômbia, com um patrimônio líquido per capita de € 4.650 (cerca de US$ 5.361).
Na 51ª posição está o Peru (€ 2.270 ou US$ 2.617) e na 55ª posição está a Argentina ( € 1.560 ou US$ 1.798).
O Allianz Global Wealth Report analisa os ativos financeiros brutos das famílias, incluindo dinheiro em espécie, depósitos bancários, investimentos em seguros e pensões, títulos (ações, títulos de renda fixa e fundos de investimento) e outras contas a receber, bem como as dívidas contraídas pelas famílias.
O estudo abrange 57 países, que representam 91% do PIB mundial e 72% da população mundial.
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