Bloomberg — A economia dos Estados Unidos cresceu menos do que o esperado no fim do ano passado, pressionada pela paralisação recorde do governo federal, além de um enfraquecimento no consumo e no comércio.
O Produto Interno Bruto (PIB) ajustado pela inflação avançou a uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre, após alta de 4,4% no período anterior, segundo a estimativa preliminar divulgada pelo governo nesta sexta-feira.
No acumulado do ano, a economia cresceu 2,2%, de acordo com dados do Bureau of Economic Analysis (BEA).
O resultado trimestral fraco — abaixo de todas as projeções em pesquisa da Bloomberg com economistas — ocorreu em meio à paralisação do governo dos EUA por quase metade do trimestre.
O BEA informou que o shutdown retirou cerca de 1 ponto percentual do PIB.
Menos de uma hora antes da divulgação dos dados, o presidente Donald Trump publicou nas redes sociais que a paralisação custaria aos EUA “pelo menos dois pontos do PIB”.
Apesar da desaceleração no fim do ano, os dados ainda encerram um ano sólido para a economia dos EUA, que encolheu no primeiro trimestre em meio a um aumento expressivo das importações antes da entrada em vigor de tarifas, mas terminou 2025 com uma das taxas de crescimento mais fortes dos últimos anos. A recuperação ocorreu após Trump recuar das tarifas mais punitivas e o Federal Reserve reduzir os juros, o que ajudou a impulsionar o mercado acionário a recordes e permitiu que consumidores de maior renda mantivessem o nível de gastos.
Trump retomou a Casa Branca no ano passado com a promessa de inaugurar uma “era de ouro” para os EUA, incluindo a repatriação da manufatura e a redução do custo de vida. A atividade industrial apenas começou a reagir após um período prolongado de fraqueza, enquanto a inflação pouco cedeu em 2025 — colocando a questão do poder de compra no centro das eleições legislativas deste ano.
Dados mensais separados do BEA divulgados na sexta-feira mostraram que a medida de inflação subjacente preferida pelo Fed — o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) núcleo — avançou 0,4% em dezembro, a maior alta em quase um ano. Em termos anuais, o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, subiu 3%, ante 2,8% no início de 2025.
-- Em atualização.
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