Bloomberg — Os países da União Europeia apoiaram um acordo comercial com o chamado bloco Mercosul de países da América do Sul, abrindo caminho para que a UE assine seu maior acordo de livre comércio na próxima semana.
Os embaixadores da UE apoiaram o acordo em uma reunião em Bruxelas na sexta-feira, apesar da oposição da França e de vários países, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato à Bloomberg News.
A aprovação exigia apenas uma maioria qualificada dos estados membros.
A decisão significa que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, provavelmente assinará o acordo no Paraguai em 12 de janeiro.
O acordo, que também inclui o Brasil, o Uruguai e a Argentina, concluiria 25 anos de negociações para remover tarifas e aumentar as exportações, criando um mercado integrado de 780 milhões de consumidores.
No entanto, o acordo se mostrou altamente controverso, principalmente entre os agricultores europeus, que se preocupam com o influxo de importações agrícolas para a UE.
Leia também: Vinícolas europeias se antecipam a acordo Mercosul–UE e ampliam aposta no Brasil
Os agricultores protestaram no centro de Paris na véspera da decisão, enquanto manifestações ocorreram na Polônia na sexta-feira. A Irlanda estava entre os países que votaram contra o acordo.
Os líderes da UE esperavam assinar o pacto em sua cúpula no mês passado, mas a oposição de última hora da Itália, que se tornou o voto de minerva, impediu um acordo.
No entanto, Roma acabou apoiando a proposta na reunião de sexta-feira, em parte devido ao dinheiro extra oferecido pela comissão no início desta semana aos agricultores no próximo orçamento de longo prazo da UE.
As medidas de salvaguarda oferecidas aos agricultores também ajudaram a influenciar a Itália.
Essas medidas incluem o compromisso de abrir uma investigação sobre a possível suspensão das tarifas preferenciais se houver um aumento nos volumes de importação da América do Sul ou uma queda nos preços em comparação com a média de três anos.
O limite no qual essa investigação seria acionada foi definido em 5%, abaixo da proposta mais recente de 8%, após lobby de países como Itália e França, bem como do Parlamento Europeu.
Leia também: Macron anuncia voto contra acordo UE-Mercosul em meio a protesto de agricultores
A França, que sempre se opôs ao acordo comercial, dizendo que ele prejudicará os agricultores e consumidores europeus, votou contra o acordo.
“A França é favorável ao comércio internacional, mas o acordo UE-Mercosul é um acordo de outra era, negociado por muito tempo em bases que estão muito desatualizadas”, disse o presidente francês Emmanuel Macron em um post no X na noite de quinta-feira. “Ele não justifica a exposição de setores agrícolas sensíveis e essenciais a riscos à nossa soberania alimentar”.
O acordo comercial UE-Mercosul, que também deve ser endossado pelo Parlamento Europeu, é o maior já negociado por Bruxelas. Por mais de duas décadas, as negociações foram perpetuamente interrompidas e reiniciadas à medida que as autoridades tentavam apaziguar as preocupações com as proteções ambientais e os padrões agroalimentares do bloco do Mercosul.
No entanto, países como Alemanha e Espanha são fortemente favoráveis a um acordo, que abrirá novas oportunidades de exportação.
A Bloomberg Economics estimou que o acordo impulsionaria a economia do bloco do Mercosul em até 0,7% e a da Europa em 0,1%. Geopoliticamente, ele também fortaleceria a presença da UE em uma região onde a China emergiu como um importante fornecedor industrial e comprador de commodities.
--Com a ajuda de Nayla Razzouk.
Veja mais em bloomberg.com