‘Noruega turbinada’: o plano da Guiana para evitar ‘maldição’ do dinheiro do petróleo

País quadruplicou seu orçamento nacional nos últimos cinco anos para financiar novas estradas, pontes, escolas e geração de energia, além de distribuir auxílios em dinheiro aos cidadãos a fim de reduzir a dependência do petróleo bruto

País quintuplicou o produto interno bruto desde que a Exxon começou a extrair petróleo bruto de suas reservas em 2019 (Foto: Joaquin Sarmiento/AFP/Getty Images)
Por Kevin Crowley
19 de Fevereiro, 2026 | 02:38 PM

Bloomberg — A Guiana, rica em petróleo, está gastando com tanta intensidade e rapidez para diversificar a economia, que está prestes a se tornar uma “Noruega turbinada”, segundo o presidente Irfaan Ali.

O país, onde a Exxon Mobil descobriu petróleo em 2015, quadruplicou seu orçamento nacional nos últimos cinco anos para financiar novas estradas, pontes, escolas e geração de energia, além de distribuir auxílios em dinheiro aos cidadãos.

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Isso faz parte de um plano agressivo — e potencialmente de alto risco — para usar a receita de projetos offshore operados pela Exxon para reduzir a dependência do petróleo bruto o mais rapidamente possível.

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“Durante 25 anos, a Noruega utilizou todos os seus recursos para construir os sistemas, a infraestrutura e o investimento em capital humano e tecnologia para chegar onde está hoje”, disse Ali em entrevista na Conferência de Energia da Guiana, em Georgetown, na quarta-feira (18).

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“Se você olhar onde estamos hoje e o tipo de investimento que fizemos em termos de educação e tecnologia, acho que somos uma Noruega turbinada.”

Anteriormente um dos países mais pobres das Américas, a Guiana quintuplicou o produto interno bruto desde que a Exxon começou a extrair petróleo bruto de suas vastas descobertas em 2019.

Com menos de 1 milhão de habitantes, o país recentemente se tornou o maior produtor de petróleo do mundo per capita.

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Outros países ricos em petróleo, como a Venezuela, Nigéria e Angola, mostraram que um aumento repentino na riqueza proveniente de commodities pode estimular a inflação e a corrupção, enquanto prejudica outros setores econômicos, um fenômeno conhecido como a maldição dos recursos naturais.

Ali, que conquistou um segundo mandato de cinco anos em 2025, quer evitar isso por meio de um plano multifacetado de gastos para desenvolver setores não petrolíferos.

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Ele mira a agricultura e a mineração como indústrias nas quais a Guiana poderia crescer e produzir bens de maior valor agregado, como alimentos embalados e alumínio, em vez das matérias-primas que vendia no passado.

O presidente também quer trazer gás natural para terra firme a partir dos campos de petróleo operados pela Exxon, para ser usado na geração de energia e na indústria, ao mesmo tempo em que transforma a Guiana em um polo regional para data centers e ecoturismo.

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“Temos que trabalhar em todos esses pilares e plataformas ao mesmo tempo porque estamos atrasados”, disse Ali, de 45 anos.

“Precisamos de diversificação econômica em uma escala e velocidade que nos permitam reduzir os riscos em outros setores e ter o máximo efeito multiplicador na economia.”

A Guiana ainda tem um longo caminho a percorrer antes de poder concretizar a visão de Ali. Ainda assim, ele está convencido de que o país evitará a maldição dos recursos naturais.

“Nós fomos na direção oposta”, disse. “Direi, de forma humilde, que a Guiana demonstrou ao mundo que criamos um modelo de utilização da receita do petróleo para impulsionar o crescimento, avançar a riqueza e desenvolver o capital humano.”

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