Bloomberg — O Irã escolheu Mojtaba Khamenei, o filho linha-dura do aiatolá Ali Khamenei, como seu novo líder supremo, em um sinal que Teerã não recuará em uma guerra que agora assola o Oriente Médio e provoca uma disparada nos preços da energia.
A escolha foi rapidamente criticada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está sob crescente pressão, já que os preços do petróleo sobem para perto de máximas de quatro anos e crescem os temores de uma nova crise inflacionária.
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz tem obrigado a Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, a reduzir a produção. Isso segue movimentos semelhantes pelos Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque.
O petróleo bruto Brent subia cerca de 11%, para US$ 103, às 12h20 (hora local) em Londres, na segunda-feira. Mais cedo no dia, o produto havia subido para quase US$ 120, mas reduziu os ganhos depois que pessoas familiarizadas com o assunto disseram que os ministros das Finanças do Grupo dos Sete se preparavam para discutir uma possível liberação conjunta de reservas emergenciais de combustível.
As ações despencaram e uma derrocada global de títulos de dívida se acelerou, enquanto o dólar atingiu o nível mais alto em sete semanas.
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Trump, cujo governo já enfrenta críticas após os preços da gasolina nos EUA saltarem na semana passada, chamou o petróleo a US$ 100 de “um pequeno preço a pagar” e disse que o custo “cairá rapidamente” quando a destruição da ameaça nuclear do Irã estiver concluída.
A guerra — agora na segunda semana — não mostra sinais de arrefecimento. Os EUA e Israel continuaram a atacar o Irã, que ainda está atacando Israel e estados árabes do Golfo regularmente com drones e mísseis.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) interceptou um míssil balístico disparado pelo Irã em direção à Turquia na segunda-feira (9), o segundo incidente desse tipo, o que eleva o risco de a aliança militar ser arrastada mais diretamente para o conflito.
Khamenei — cujo pai governou o Irã por quase 37 anos e foi morto quando os ataques dos EUA e de Israel começaram em 28 de fevereiro — venceu uma “votação decisiva” na Assembleia de Especialistas do Irã para se tornar o líder supremo, noticiou a mídia iraniana no final de domingo.
Com 56 anos de idade, ele tem fortes laços com a Guarda Revolucionária Islâmica, considerada a organização militar e econômica mais poderosa do Irã, que prometeu total obediência total ao novo líder.
Trump disse à Fox News que “não está feliz” com a escolha do Irã. Khamenei era um dos favoritos para ser selecionado, embora houvesse vários outros candidatos na disputa, alguns dos quais poderiam ter sido mais receptivos aos EUA.
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Mojtaba “compartilha muitas das mesmas inclinações ideológicas de seu pai e buscará manter a continuidade — inclusive na guerra”, disse Dina Esfandiary, analista de geoeconomia da Bloomberg. Sua eleição “sugere que o Irã não mudará de rumo na guerra do Oriente Médio”, acrescentou.
No sábado, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, prometeu não recuar, e disse que a “ideia de que nos renderíamos incondicionalmente — eles devem levar esse sonho para o túmulo”.
A Arábia Saudita endureceu o tom contra o Irã ao lidar novamente com projéteis que chegaram ao país na segunda-feira, incluindo alguns direcionados ao campo petrolífero de Shaybah, da gigante petrolífera Aramco, e para áreas dentro e ao redor de Riad.
O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita alertou que as ações de Teerã podem levar a uma escalada ainda maior, na qual o Irã “será o maior perdedor”. O reino também afirmou que os ataques iranianos terão um impacto “profundo” nas relações futuras.
Os ataques e os comentários sugerem que os esforços do reino, na semana passada, para intensificar seus esforços diplomáticos em relação ao Irã — uma tentativa de conter a guerra — não estão funcionando.
Na segunda-feira, os EUA ordenaram que diplomatas americanos não essenciais na Arábia Saudita deixassem o país, citando riscos à segurança. A medida marca a primeira “saída ordenada” de Washington desde o início da guerra.
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Riad registrou suas primeiras fatalidades desde o início da guerra, com duas mortes ocorridas quando um projétil caiu em uma área residencial perto da base aérea Príncipe Sultan, nos arredores de Riad, que abriga tropas dos EUA.
Autoridades iranianas afirmam que mais de 1.300 pessoas morreram devido aos ataques dos EUA e de Israel até o momento.
A Axios noticiou que autoridades americanas estavam descontentes com os ataques, acreditando que eles poderiam ter um efeito contrário ao desejado do ponto de vista estratégico ao irritar civis iranianos.
O senador dos EUA, Lindsey Graham, firme apoiador da guerra, pediu a Israel que “tenha cuidado com os alvos que selecionar”. A infraestrutura de petróleo, disse, será essencial para a recuperação do Irã “quando este regime entrar em colapso”.
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