Bloomberg — A França enfrenta as consequências de um fim de semana marcado por protestos em várias partes do país, que terminaram em confrontos entre a polícia e os manifestantes e provocaram alguns dos episódios mais graves de violência nas ruas em anos, com saques e incêndios em edifícios históricos.
No sábado (17), as manifestações reuniram mais de meio milhão de pessoas em cidades de todo o país. O que começou como passeatas pacíficas contra as más condições em escolas e hospitais e o alto custo de vida, porém, logo se deteriorou. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que 1.800 pessoas foram detidas em todo o país, 855 delas em Paris.
Cenas de destruição se espalharam por várias cidades, e centenas de policiais e bombeiros ficaram feridos. A histórica prefeitura de Limoges, no centro da França, foi incendiada e teve o interior destruído. Em Lyon, um posto de informações turísticas também foi tomado pelas chamas.
Os confrontos ocorrem em um momento decisivo para o país: as eleições presidenciais estão previstas para abril, quando termina o mandato do presidente Emmanuel Macron. O descontentamento com o alto custo de vida e a insatisfação dos estudantes com o sistema educacional vêm crescendo em toda a França.
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As demandas por mais recursos esbarram na necessidade urgente de controlar uma dívida que cresce rapidamente e custa caro. As preocupações com as finanças do país devem persistir até as eleições, enquanto os investidores continuam apreensivos com as propostas dos candidatos mais bem colocados e não há um caminho claro para sair da crise.
Macron deve fazer um pronunciamento televisionado às 20h, no horário local, após uma reunião com vários ministros, em resposta aos protestos.
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As consequências das manifestações do fim de semana também provocaram acusações entre partidos políticos e aprofundaram uma divisão que já marcava o cenário político. Marine Le Pen, líder da direita e favorita nas pesquisas para a eleição presidencial de 2027, culpou diretamente o combativo líder da esquerda Jean-Luc Mélenchon por incitar a violência.
Mélenchon e o primeiro-ministro Sébastien Lecornu também trocaram acusações na rede X enquanto os protestos fugiam ao controle, com saques em grandes cidades como Paris e Bordeaux.
Em uma publicação no X no sábado, Le Pen afirmou que “demandas sociais legítimas” haviam sido “sequestradas pela extrema esquerda e pela retórica dos parlamentares de Jean-Luc Mélenchon”.
Protesto contra o custo de vida em Paris
Mélenchon atribuiu parte da desordem a provocações da polícia e escreveu no X que “aqueles que compartilham nossa luta não devem participar de saques ou atos de vandalismo”. Macron também se manifestou na rede, defendeu a polícia e pediu que saqueadores e vândalos fossem “processados e punidos”.
Os prefeitos de Paris, Marselha e Lyon pediram uma reunião com o primeiro-ministro. Benoît Payan, prefeito de Marselha, criticou a insuficiência do plano do governo para garantir a ordem pública no sábado.
Os danos causados pelos distúrbios custarão “centenas de milhões de euros” para reparar, segundo Alexandre Bompard, diretor-executivo da rede de supermercados Carrefour e presidente da Federação Francesa do Comércio e da Distribuição. Em entrevista concedida no domingo (18) à emissora LCI, ele disse que 1.500 comerciantes foram afetados e que cerca de 20 supermercados da rede foram saqueados.
As imagens do incêndio na prefeitura de Limoges levaram o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, a se manifestar. Ele relacionou os acontecimentos à imigração e à falta de integração. “Rezo para que a França, um país lindo e de gente extraordinária, ponha fim a essa loucura antes que mais edifícios históricos sejam incendiados”, escreveu no X.
O sábado também foi marcado por manifestações mais amplas e sem coordenação em várias partes da Europa, inclusive na Bélgica e em Portugal.
Na Itália, protestos contra o custo de vida também terminaram em confrontos em Turim e Bolonha. Em Milão, uma manifestação organizada de maneira informal reuniu um público diverso. Depois, grupos de manifestantes mascarados, em sua maioria jovens, entraram em confronto com a polícia nos arredores da Piazza Duomo, a principal praça no centro da capital financeira italiana. Eles atiraram pedras do calçamento e rojões e saquearam lojas.
“Manifestar-se é um direito. Incendiar nossas cidades, não”, disse a primeira-ministra Giorgia Meloni no sábado.
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