EUA lideram ranking de soft power, mas perdem força com Trump. Brasil é o 1º em LatAm

Estudo mede a capacidade de um país de influenciar o mundo através de sua reputação, valores e capacidade de persuasão, além do poder militar ou econômico

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Bloomberg Línea — Os Estados Unidos continuam sendo o país mais influente em 2026, embora sua reputação internacional tenha sofrido um forte revés em relação ao ano anterior.

A conclusão é retirada do ranking Global Soft Power Index 2026 , elaborado pela consultoria Brand Finance.

O estudo mede o “poder brando” dos países, ou seja, sua influência no mundo baseada não na coerção, mas na cultura, inovação, educação, tecnologia e percepção que geram entre os cidadãos de outros países, e explica como um país com alto soft power pode inspirar confiança, gerar admiração e construir alianças internacionais.

Isso explica como Hollywood, o Vale do Silício, o esporte e a gastronomia americana contribuem para uma percepção global dos EUA como um centro de criatividade, oportunidades e modernidade.

No entanto, mesmo que os Estados Unidos mantenham seu domínio em termos de influência e reconhecimento global, sua reputação foi afetada em várias frentes.

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De acordo com a pesquisa, baseada em um levantamento com mais de 150.000 pessoas de mais de 100 países, a queda de 48 posições no pilar “Pessoas e Valores” reflete como certas políticas do governo Trump, como medidas restritivas à imigração, redução da ajuda internacional e imposição de tarifas comerciais, geraram um desalinhamento entre as expectativas tradicionais sobre a nação e as novas prioridades do governo.

Apesar da queda, os Estados Unidos mantêm posições de destaque em áreas onde mantêm vantagens históricas, como artes e entretenimento (1º), esportes (3º), marcas globais (2º), ciência (3º), tecnologia (3º) e exploração espacial (1º).

Os dez primeiros

A China ocupa o segundo lugar, “refletindo uma estratégia deliberada e orientada para políticas que combina compromisso cultural, visibilidade econômica e avanços tecnológicos”, de acordo com o estudo. Sua reputação melhorou, subindo nove posições até o 18º lugar, ultrapassando os EUA pela primeira vez.

PaísClassificação
Estados Unidos1
China2
Japão3
Reino Unido4
Alemanha5
Francês6
Suíça7
Canadá8
Itália9
Emirados Árabes Unidos10

O Japão e o Reino Unido trocaram de posição em relação ao ano passado, com o país asiático subindo para o terceiro lugar graças à sua força nos negócios e comércio, futuro sustentável, educação e ciência, e governança.

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O top 5, completado pela Alemanha, tem servido historicamente como referência para os entrevistados que veem seus modelos de governança, estabilidade econômica e compromisso global como parâmetros para avaliar os demais países. França, Suíça, Canadá, Itália e Emirados Árabes Unidos ocupam as posições seguintes.

Soft power da América Latina

Na América Latina, o ranking mostra uma região marcada por contrastes.

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As maiores economias continuam liderando em visibilidade e reconhecimento, enquanto os mercados menores conseguem subir posições graças a estratégias claras em sustentabilidade, governança e projeção internacional.

PaísClassificaçãoVariação
Brasil29+2
Argentina37+5
México42+1
Chile56-2
Uruguai64+3
Panamá65-1
Colômbia66-5
Costa Rica73-2
El Salvador76+6
Peru77-5
Paraguai78+6
República Dominicana80+3
Experimente83-10
Equador93-4
Venezuela97-1
Bolívia103=
Guatemala126-6
Honduras131=
Nicarágua153-5
Belize168=
Haiti170=

O Brasil continua sendo o país mais bem posicionado da região, na 29ª posição global, seguido pela Argentina (37ª). Ambos com tradição futebolística arraigada continuam ocupando os primeiros lugares no ranking esportivo.

O México subiu uma posição, para o 42º lugar, e o Chile recuou duas posições, para o 56º lugar. O Uruguai, que subiu para o 64º lugar, consolidou-se como um caso emblemático.