EUA e Irã trocam novos ataques e apresentam versões opostas sobre se Ormuz está aberto

Washington afirma que Ormuz permanece aberto à navegação, enquanto Teerã sustenta restrições após intensificar ataques contra bases e aliados dos EUA no Golfo; petróleo avança com temores de interrupção no fluxo da commodity

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Bloomberg — Os EUA e o Irã trocaram novos ataques durante a madrugada desta segunda-feira, dando continuidade à série de ataques recíprocos, ao mesmo tempo em que emitiam declarações contraditórias sobre se o Estreito de Ormuz estava aberto à navegação.

O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que as forças americanas realizaram uma nova rodada de ataques para enfraquecer a capacidade do Irã de ameaçar a navegação naquela estreita via navegável. Dezenas de alvos foram atingidos, incluindo sistemas de defesa aérea iranianos, estações de radar costeiras e instalações de mísseis e drones, informou o Centcom no domingo em uma publicação no X.

Teerã retaliou na segunda-feira com ataques contra aliados dos EUA no Golfo Pérsico e além, tendo como alvo bases americanas no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia, de acordo com a mídia estatal iraniana.

A Guarda Revolucionária Islâmica informou anteriormente que havia interceptado duas embarcações que considerava um risco à navegação em Ormuz por seguirem uma “rota ilegal”.

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A mais recente escalada dá continuidade a um padrão de ataques e contra-ataques que já se estende por cerca de uma semana.

Os ataques dos EUA no fim de semana representaram um dos bombardeios mais intensos desde o acordo de junho destinado a interromper os combates, enquanto a retaliação do Irã também vem se ampliando, visando um número crescente de países árabes na região.

Os preços do petróleo subiram devido aos temores de que novos confrontos possam interromper ainda mais o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, com o Brent, referência global, sendo negociado com alta de 4,3%, a mais de US$ 79 o barril, às 5h54 da manhã em Londres.

O Centcom informou no fim de semana que suas forças atacaram cerca de 140 alvos sob ordens do presidente dos EUA, Donald Trump.

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O Irã lançou drones contra posições do Exército dos EUA no Kuwait na segunda-feira, segundo a Press TV. Anteriormente, o Kuwait informou que um ataque com drones danificou uma plataforma de perfuração de sua empresa estatal de petróleo.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) utilizou mísseis e drones para atacar depósitos de mísseis e tanques de armazenamento de combustível na Base Aérea Príncipe Hassan, na Jordânia, informou a agência estatal de notícias da República Islâmica (IRNA), acrescentando que os ataques de retaliação continuavam.

Instalações de manutenção e reparo de helicópteros, um hangar para aeronaves de guerra eletrônica P-8 e os centros de comando e controle de drones das Forças Armadas dos EUA em uma base americana no Bahrein também foram atingidos, informou a IRNA.

Os Emirados Árabes Unidos informaram no domingo que suas defesas aéreas estavam respondendo a uma ameaça de míssil detectada fora das fronteiras do país. O Catar informou que três pessoas ficaram feridas pela queda de destroços após suas forças terem interceptado ataques com mísseis iranianos.

A mídia estatal iraniana também noticiou ataques contra centros de logística naval dos EUA e plataformas de reabastecimento de porta-aviões localizadas no Porto de Duqm, em Omã.

No centro da mais recente escalada está o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, onde o Irã foi acusado de atacar vários navios comerciais na semana passada.

No fim de semana, Teerã afirmou que o estreito ficaria fechado “até novo aviso”.

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O Comando Central contestou essa afirmação, dizendo que a via navegável continuava aberta a todas as embarcações e que as Forças Armadas dos EUA estão preparadas para garantir a liberdade de navegação.

O Centro Conjunto de Informações Marítimas, um órgão de monitoramento global, informou no domingo que ainda era possível transitar pela rota sul do estreito.

Trump também afirmou que o Estreito de Ormuz permanecia aberto ao se pronunciar no domingo no programa da NBC.

“Nós os bombardeamos pesadamente ontem à noite”, disse ele. “São pessoas muito, muito perversas e doentias.”

Os ataques iranianos levaram o Reino Unido, a França e a Alemanha a emitir uma declaração conjunta condenando os ataques e pedindo a retomada do cessar-fogo e das negociações de paz.

O navio-tanque de GNL Al Hamra parece ter atravessado o Estreito de Ormuz no fim de semana e agora se encontra no Golfo de Omã, de acordo com dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg.

A Axios informou, ao citar uma autoridade norte-americana, que cerca de 20 embarcações comerciais conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz em coordenação com as Forças Armadas dos EUA.

Os ataques de retaliação cada vez mais intensos estão lançando dúvidas sobre as negociações entre os EUA e o Irã, destinadas a resolver questões como o programa nuclear da República Islâmica e, eventualmente, pôr fim à guerra que Washington e Israel iniciaram no final de fevereiro.

Trump afirmou na sexta-feira que considerava encerrado o cessar-fogo previsto no acordo provisório de 17 de junho, acrescentando que Washington continuaria as negociações com Teerã.

A mídia iraniana noticiou no domingo explosões na costa sul do país, inclusive nos centros de energia e petroquímica de Bushehr e Asalouyeh, nas cidades portuárias de Bandar Abbas e Bandar-e Dayyer e na região de Sirik, próxima a Ormuz.

Uma torre de comunicação foi atingida na província de Kerman, no sul do país, ferindo duas pessoas, segundo a agência de notícias Mehr.

Ataques recentes dos EUA e de Israel causaram “danos extensos” à infraestrutura energética do Irã, informou a Agência de Notícias Semioficial dos Estudantes Iranianos, citando o presidente da empresa estatal de energia Tavanir.

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