Bloomberg — Os confrontos entre os EUA e o Irã pelo controle do Estreito de Ormuz se intensificaram, com Teerã acusando as forças americanas de bombardear uma área residencial em uma onda de ataques ocorridos durante a madrugada.
As Forças Armadas dos EUA realizaram sua segunda rodada de ataques em três dias, que, segundo o Comando Central dos EUA, teve como alvo sistemas de radar e instalações de colocação de minas ao longo da costa sul do Irã. Isso levou a República Islâmica a retaliar com rajadas de drones e mísseis contra bases americanas em todo o Oriente Médio, em consonância com as táticas utilizadas ao longo dos seis meses de guerra.
Teerã acusou os EUA de atingir uma cerimônia de casamento durante os ataques noturnos, matando cinco pessoas e ferindo 68. A maioria dos feridos eram mulheres e crianças, segundo a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano. O Centcom afirmou estar ciente dos relatos, mas que “as Forças Armadas dos EUA nunca têm como alvo civis”, disse o capitão da Marinha dos EUA Tim Hawkins à BBC.
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Autoridades iranianas compararam o incidente a um ataque a uma escola de ensino fundamental na cidade de Minab durante os primeiros dias do conflito. Esse ataque matou cerca de 120 crianças e está sendo investigado pelas Forças Armadas dos EUA.
“Essa crueldade não pode ser dissociada da cadeia de atrocidades que a precederam em Minab, Lamerd, Qeshm e em outros locais”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, em uma postagem no X. “O Irã responderá a esses crimes selvagens com firmeza.”
A retomada das hostilidades pôs fim a um período de relativa calma que durou semanas e suscita preocupações quanto a um possível retorno à guerra total, em um momento em que não há nenhuma saída diplomática à vista.
O presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou as chances de um acordo de paz, afirmando em uma postagem no Truth Social que “não está tentando forçar o Irã a sentar-se à mesa de negociações”.
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“Não me importo nem um pouco se eles assinarem um acordo que, para eles, não tem valor algum”, disse ele. “Gosto muito mais da nossa posição atual.”
Os preços da energia dispararam em meio a temores de que as interrupções no fluxo de petróleo e gás no Estreito de Ormuz se mantenham por um período prolongado. O petróleo Brent, referência do mercado, subiu para mais de US$ 97 o barril no início do pregão, antes de recuar um pouco.
O Centcom afirmou que “os ataques ocorrem após recentes tentativas de ataque por parte da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) contra navios comerciais no Estreito de Ormuz e contra militares americanos”, de acordo com um comunicado publicado no X na noite de terça-feira.
Em poucas horas, o Irã afirmou que suas forças haviam lançado uma “operação decisiva” contra bases dos EUA na região, informou a agência de notícias semioficial Tasnim.
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Teerã reivindicou ataques a instalações militares dos EUA no Kuwait, na Jordânia, no Bahrein, no Iraque e nos Emirados Árabes Unidos. Autoridades da Jordânia, do Kuwait, do Bahrein e do Iraque afirmaram ter interceptado os disparos. Os Emirados Árabes Unidos não se pronunciaram.
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A Jordânia, aliada dos EUA, tem se tornado cada vez mais alvo de retaliações de Teerã, com dois militares americanos mortos no país em um ataque ocorrido em julho.
Trump prometeu que os EUA continuariam atacando o Irã caso a República Islâmica retaliasse.
As Forças Armadas dos EUA atacaram dois petroleiros iranianos sob uma nova política de “petroleiro por petroleiro” aprovada por Trump, informou a Axios, citando uma autoridade americana não identificada. Até o momento, os EUA vinham se concentrando em impedir que embarcações iranianas rompessem um bloqueio naval.
Isso ocorreu cerca de um dia depois que dois superpetroleiros que tentavam sair do estreito foram atingidos em rápida sucessão por projéteis, informou a consultoria de segurança marítima Marisks.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse a repórteres na cúpula dos ministros das Finanças do G-20 em Asheville que os líderes do Irã estavam “em pânico” com os problemas econômicos do país e previu que, em algum momento, eles estariam dispostos a negociar um acordo para pôr fim à guerra.
Embora Bessent tenha prometido um “ataque econômico” contra o Irã e seus parceiros comerciais, os países com laços com Teerã até o momento ignoraram a ameaça, e os analistas não se impressionaram com as ações dos EUA.
Os combates estão se intensificando além do Irã. Israel vem atacando regularmente alvos do Hezbollah no sul do Líbano nesta semana, acusando o grupo apoiado pelo Irã de lançar drones contra suas forças.
O Hamas, por sua vez, afirmou que um cessar-fogo já instável em Gaza corre o risco de ruir após uma incursão israelense em profundidade no território palestino na terça-feira para capturar uma figura de destaque da organização militante.
--Com a colaboração de Eltaf Najafizada, Omar Tamo e Alexander Pearson.
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