Do Brasil ao México: como ficaram as taxas de inflação na América Latina em abril

Na maior parte das economias da região, os preços aceleraram diante da disparada do petróleo

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Bloomberg Línea — A expectativa é de que 2026 encerre com uma aceleração da inflação em nível mundial, impulsionada pela disparada dos preços do petróleo. O impacto sobre as diferentes economias, no entanto, é desigual e depende do acesso a fontes de energia.

O Chile é um dos países mais afetados da região: o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 1% em março e 1,3% em abril, elevando a variação acumulada em 12 meses de 2,4% em fevereiro para 4% ao fim do quadrimestre.

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Ainda assim, os números chilenos ficam longe dos países com problemas inflacionários estruturais: Venezuela e Argentina.

Nesses casos, o desarranjo nos preços nada tem a ver com o conflito com o Irã — é uma herança de desequilíbrios acumulados. É por isso que os venezuelanos convivem hoje com a inflação mais alta do planeta (612% em 12 meses), enquanto os argentinos figuram no top 5 mundial, com 32,6%.

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No extremo oposto está a Costa Rica, único país da região com deflação: -1,64% em 12 meses. Em alguns países com inflação ainda baixa, porém, já se observa aceleração:

  • No Peru, a taxa passou de 2,21% em fevereiro para 4% em abril.
  • Em El Salvador, de 1,17% para 2,16% no mesmo período.
  • Na República Dominicana, de 3,46% para 5,56%.

Entre as maiores economias da região, o Brasil encerrou abril com o IPCA em 4,39% em 12 meses, enquanto o México registrou 4,45%. Na Colômbia, os preços subiram 5,68% nos últimos 12 meses.

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Um caso curioso é o do Uruguai, onde a inflação havia recuado a uma mínima de 70 anos — 2,94% em março —, mas voltou a subir para 3,14% em abril, no acumulado em 12 meses. O banco central uruguaio quer aproximar o índice do centro da meta, fixada em 4,5%.

Já a Bolívia, que chegou a registrar IPC próximo de 25% em julho de 2025, mantém a trajetória de desaceleração e opera atualmente com inflação de 14,18% ao ano.

Inflação na América Latina em abril de 2026

Com base nos dados oficiais dos respectivos institutos de estatística, estes foram os índices de inflação em abril de 2026:

  • Venezuela: 612%
  • Argentina: 32,4%
  • Cuba: 14,73%
  • Bolívia: 14,18%
  • Colômbia: 5,68%
  • Honduras: 5,56%
  • República Dominicana: 5,11%
  • México: 4,45%
  • Brasil: 4,39%
  • Chile: 4%
  • Peru: 4%
  • Nicarágua: 3,55% (último dado: março de 2026)
  • Guatemala: 3,4%
  • Uruguai: 3,16%
  • Equador: 2,6%
  • Paraguai: 2,3%
  • El Salvador: 2,16%
  • Panamá: 0,9% (último dado: março de 2026)
  • Costa Rica: -1,64%

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