Bloomberg Línea — Universidades de Argentina, Brasil, Chile, México e Colômbia voltam a figurar entre as melhores da América Latina, segundo o QS World University Rankings 2026.
Assim como no relatório do ano passado, apenas a Universidade de Buenos Aires conseguiu entrar no top 100 mundial, ocupando a 84ª posição global. A segunda colocada na região, a Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC), está na posição 119.
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Na edição deste ano, as instituições públicas da região voltam a se destacar: seis das dez primeiras do ranking latino-americano são públicas.
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O QS World University Rankings mantém o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, como a melhor instituição do mundo, com pontuação máxima de 100 pontos.
Na sequência aparecem o Imperial College London (Reino Unido), com 99,2 pontos, e a Universidade Stanford (EUA), com a mesma pontuação.
O ranking considera mais de 1.500 instituições de 106 países e territórios.
As 20 melhores universidades da América Latina
- Universidad de Buenos Aires (UBA) — Argentina: 72,3
- Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC): 65,6
- Universidade de São Paulo (USP): 64,1
- Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM): 62,3
- Universidad de Chile: 57,1
- Tecnológico de Monterrey — México: 57,0
- Universidad de los Andes — Colômbia: 52,8
- Universidade Estadual de Campinas (Unicamp): 47,9
- Universidad Nacional de Colombia: 46,4
- Pontifícia Universidad Católica del Perú (PUCP): 41,4
- Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): 40,8
- Pontifícia Universidad Javeriana — Colômbia: 38,5
- Universidad de Costa Rica: 34,1
- Universidad Nacional de La Plata (UNLP) — Argentina: 33,5
- Unesp: 32,0
- Pontifícia Universidad Católica Argentina: 30,9
- Universidad Austral — Argentina: 30,9
- Universidad de Santiago de Chile (USACH): 29,8
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): 28,3
- Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio): 27,8
Desafios em educação e emprego para os jovens
Segundo relatório do Banco Mundial, os sistemas educacionais da região “não estão necessariamente entregando habilidades úteis para o trabalho”. Três em cada quatro jovens de 15 anos não dominam conceitos básicos de matemática, e mais da metade não consegue ler adequadamente.
Como resultado, 22,8% das empresas da região identificam uma força de trabalho com educação inadequada como uma limitação importante ou muito grave — acima da média global de 19%.
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As falhas nos sistemas educacionais, as características do mercado de trabalho, as desigualdades de gênero e a falta de habilidades digitais freiam o emprego juvenil na era da inteligência artificial na região, explica Daniela Trucco, oficial superior de Assuntos Sociais da Divisão de Desenvolvimento Social da Cepal, à Bloomberg Línea.
“Na região, 20% dos jovens entre 15 e 29 anos não estudam nem trabalham de forma remunerada, e esse percentual se manteve relativamente estável na última década”, disse a especialista.
De acordo com o relatório Education at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), países como Colômbia (27%), Brasil e Costa Rica (ambos com 24%) apresentam os maiores índices de jovens que não estudam nem trabalham na região.
Cerca de 30% dos jovens da região não concluem o ensino médio — o que evidencia uma crise de aprendizagem que a pandemia aprofundou. Além disso, “muitos jovens sentem que o que aprendem não é relevante para seu futuro profissional”, segundo Trucco.
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A América Latina enfrenta o desafio de não gerar empregos de qualidade em quantidade suficiente. Trucco explicou que os jovens enfrentam maiores barreiras de acesso e uma proporção maior de inserção no mercado informal, sem benefícios sociais.
Espera-se que um número crescente de jovens latino-americanos se afaste dos trabalhos tradicionais na agricultura e na indústria para migrar para o setor de serviços — embora este se caracterize por baixos níveis de produtividade na região, segundo relatório da organização Ayuda en Acción em parceria com a Cepal.
Até 2030, “em um cenário realista”, mais de 1,2 milhão de jovens em 16 países da América Latina deixariam o setor agrícola e cerca de 640.000 sairiam da indústria, enquanto mais de 1,8 milhão ingressariam no setor de serviços.
Com isso, mais de 60% dos jovens ocupados se concentrarão em serviços públicos e empresas (34%) e no comércio (30%), contra apenas 8,2% na agricultura e 7,4% na construção, aponta o Estudo prospectivo de emprego jovem na América Latina: a educação e formação para o trabalho como eixo central.
-- Correção: Reportagem atualizada às 21h45 para incluir informações do ranking de 2026. Uma versão anterior trazia dados desatualizados do QS World University Rankings.
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