Baterias e renováveis lideram potencial de investimento em energia no México, diz estudo

Levantamento do GRI Institute aponta que 42% dos investidores entrevistados identificam os sistemas de armazenamento conhecidos como BESS como o segmento mais promissor, seguido pela geração de energias renováveis

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Bloomberg Línea — O armazenamento de energia em larga escala e a geração de renováveis lideram o potencial de investimento no setor energético do México, mostra estudo do GRI Institute, think tank global focado nos setores imobiliário e de infraestrutura.

O levantamento aponta que 42% dos entrevistados identificam os sistemas de armazenamento de energia em baterias (conhecido como “BESS”) como o segmento mais promissor, seguido pela geração de energia renovável em larga escala (38%).

O sócio e diretor-geral de infraestrutura e energia do GRI, Moisés Cona, esclarece que essa preferência se deve principalmente ao fator técnico, uma vez que as energias renováveis vêm crescendo dentro do sistema elétrico mexicano, em um cenário de restrições de rede e episódios de variação de voltagem que geram custos adicionais à indústria.

“O armazenamento é visto como peça central para dar confiabilidade e flexibilidade a esse sistema. O nearshoring aumenta essa pressão, ao elevar diretamente a demanda por armazenamento em larga escala”, disse Cona em entrevista à Bloomberg Línea.

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Na visão do dirigente, o resultado reflete a necessidade que o mercado antecipa, embora o modelo de negócio dos BESS ainda aguarde definições regulatórias mais precisas.

O Termômetro do GRI mede percepções, expectativas e prioridades dos líderes de infraestrutura e energia. Para esta edição, 46 líderes de investimento, desenvolvimento, bancos, empresas do setor, grandes consumidores e autoridades participaram da pesquisa em evento recente no México.

O levantamento constatou que 68% dos entrevistados descrevem o momento como estável ou cauteloso, enquanto 44% permanecem em compasso de espera antes de comprometer novo capital. No entanto, o resultado aponta que as oportunidades são concretas.

“Há resiliência [no mercado] e as reformas em curso desde 2025 começam a dar frutos, mas também persistem desafios, como um ritmo de execução aquém do requerido pela demanda e a necessidade de mais transparência em regras de governança e mecanismos de repartição e mitigação de riscos entre Estado e setor privado”, diz Cona.

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Ele cita como fator positivo o potencial estrutural do México, que estimula a retenção do capital a partir da demanda em máximas históricas. O tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC, substituto do NAFTA, em vigor até pelo menos 2036), o recorde recente de investimento estrangeiro direto, a expansão da demanda industrial e digital completam o cenário favorável.

Por outro lado, o dirigente aponta que outros elementos desafiam a conversão dos investimentos e aparecem com nitidez na agenda que o próprio mercado atribui como prioridade ao setor público, com destaque para o aperfeiçoamento do ambiente de investimento misto (parcerias entre público e privado para infraestrutura, como é conhecido no México), além de ampliação da segurança jurídica e eficiência regulatória e do licenciamento ambiental.

O diretor do GRI ressalta que o setor energético mexicano ainda possui intensa dependência de importação de gás natural dos Estados Unidos, mas o país mantém a meta oficial de elevar a participação de energias limpas na geração doméstica para 38% até 2030.

“O México caminha na direção de uma matriz mais limpa, com uma meta formal que hoje não tem equivalente no seu principal parceiro comercial, os Estados Unidos. Os dados sugerem que a diversificação da matriz energética mexicana tende a avançar, independentemente do descolamento bilateral”, afirma Cona.

Em sua visão, o chamado nearshoring – estratégia de reunir fábricas e operações em territórios próximos ao mercado consumidor – é o vetor que coloca a demanda de energia mexicana em máximas históricas, juntamente com a digitalização.

“Os corredores de nearshoring do norte e do centro do México pressionam diretamente a necessidade de armazenamento e de energia firme para cargas críticas, e a expansão do mercado mexicano de data centers”, esclarece.

Ele acrescenta que a infraestrutura de rede é um gargalo no setor. “Não basta instalar nova capacidade de geração se as linhas já operam no limite. Isso justifica, inclusive, que a expansão e a modernização das redes tenham sido identificadas por 52% dos consultados pelo Termômetro como uma das prioridades centrais da agenda pública.”

Segundo dados da Comissão Federal de Eletricidade do México (CFE), divulgados no final de agosto, o plano de investimentos no setor prevê 651,3 bilhões de pesos mexicanos (cerca de US$ 38 bilhões) até 2030, distribuídos entre geração (467,3 bilhões de pesos, dos quais 82% são para renováveis); transmissão (132 bilhões de pesos); e distribuição (52 bilhões de pesos).

Parceria com a Petrobras

O diretor do GRI observa que o memorando de entendimento assinado entre a Petrobras e a Pemex em junho deste ano, relativo ao desenvolvimento de projetos conjuntos, tem potenciais desdobramentos positivos para ambos os países na jornada de transição energética.

O tratado prevê atuação em áreas relativas a processos industriais, incluindo processamento de gás e recuperação de líquidos, eficiência energética, redução de emissões, captura de carbono e produção de combustíveis de menor intensidade de carbono.

O governo mexicano informou que o acordo terá vigência de dois anos, com possibilidade de renovação, mas não constitui um compromisso vinculante de investimento, sociedade, consórcio ou empresa conjunta entre as partes.

Cona lembra que a infraestrutura de gás natural é apontada como um dos segmentos mais atrativos a investimentos no México nos próximos anos, mas esse planejamento é visto como um importante desafio. “Os dois principais achados do Termômetro do GRI sobre gás natural mostram que o setor depende de uma abordagem mais ampla, de Estado, para o seu efetivo endereçamento”, diz.

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