Bloomberg — Os preços do diesel avançaram para máximas de vários anos em todo o mundo após a expansão da guerra contra o Irã pelo Oriente Médio, pressionando um mercado já afetado por estoques reduzidos e ampliando os custos para consumidores e empresas.
Na Europa, os contratos futuros de referência do combustível saltaram 34% em dois dias, o maior avanço já registrado nesse intervalo. Nos Estados Unidos, os futuros subiram até 16% nesta terça-feira (3), para US$ 3,37 por galão, o nível mais alto desde setembro de 2023. O preço médio ao consumidor atingiu patamar visto pela última vez em maio de 2024.
O diesel tem reagido de forma particularmente intensa ao conflito no Oriente Médio, em parte porque o Estreito de Ormuz é uma rota essencial para grandes volumes do combustível produzidos em refinarias da região.
As restrições ao transporte marítimo apertam ainda mais o mercado global, enquanto os estoques já estavam baixos na costa leste dos Estados Unidos após um inverno excepcionalmente rigoroso.
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Os custos de frete também dispararam: a tarifa para transportar derivados de petróleo do Golfo para o noroeste da Europa atingiu na segunda-feira o maior nível desde 2024.
A alta do diesel — frequentemente descrito como o “motor” da economia global devido ao amplo uso em transporte de cargas, geração de energia e aquecimento — tende a elevar os custos logísticos, um componente relevante da inflação.

Com a gasolina também em alta, o aumento dos combustíveis representa um risco político para o presidente Donald Trump e o Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato previstas para este ano.
Na Europa, onde o diesel também abastece veículos de passeio, a dependência do combustível proveniente do Oriente Médio aumentou após a redução das importações russas em resposta à Guerra na Ucrânia.
Os futuros de diesel de referência na Europa encerraram o pregão de terça-feira a US$ 1.009 por tonelada, acumulando ganho de 34% em dois dias e alcançando o maior preço nominal desde 2023.
O combustível chegou a ser negociado por mais de US$ 40 por barril acima do petróleo bruto — o maior diferencial, conhecido como “crack spread”, em mais de dois anos, segundo dados compilados pela Bloomberg. O prêmio do diesel sobre o petróleo também aumentou nos Estados Unidos e na Ásia.

Embora os preços façam parte de uma alta mais ampla do mercado de petróleo, o diesel tem superado o desempenho do Brent, refletindo a relevância do Oriente Médio como grande exportador do combustível e fornecedor para refinarias em outras regiões.
As entregas de diesel à Europa a partir de refinarias asiáticas que utilizam petróleo do Golfo Pérsico “estão agora sob risco severo”, afirmou Janiv Shah, vice-presidente de mercados de commodities da Rystad Energy. Segundo ele, os fluxos de exportação do Golfo Pérsico para a Europa também enfrentam incertezas.
Diante das dificuldades logísticas, algumas refinarias asiáticas avaliam reduzir o nível de processamento, o que pode pressionar ainda mais as cadeias globais de oferta.
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