Bloomberg — Quatro astronautas da Nasa foram lançados ao espaço nesta quarta-feira (1º), iniciando uma jornada histórica que os levará mais perto da superfície da Lua do que qualquer pessoa esteve em mais de 50 anos.
A cápsula Orion, construída pela Lockheed Martin e posicionada sobre o foguete Space Launch System (SLS) da Boeing, decolou às 18h35 (horário local) do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
O sistema de foguete, mais alto que a Estátua da Liberdade, atingiu velocidades de cerca de 28 mil km/h enquanto subia ao espaço, deixando um rastro de fogo e fumaça e descartando os propulsores laterais após o impulso inicial.
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Dentro da cápsula, os astronautas puderam ser vistos pressionados em seus assentos com trajes espaciais laranja brilhantes. Cerca de oito minutos após o lançamento, os motores principais do SLS foram desligados conforme previsto e a cápsula alcançou o espaço.
“Temos um lindo nascer da Lua. Estamos indo direto para ela”, disse o comandante da missão, Reid Wiseman, durante a transmissão ao vivo.
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A missão é um ensaio crucial em órbita para o foguete SLS e a cápsula Orion, e representa o maior marco até agora do projeto Artemis, programa plurianual da Nasa que pretende levar humanos à Lua a partir de 2028.
A tripulação de quatro pessoas deverá viajar mais longe no espaço do que qualquer ser humano na história.
As missões Artemis pretendem repetir e superar os feitos do histórico programa Apollo, que levou Neil Armstrong e outros 11 homens à superfície lunar nas décadas de 1960 e 1970.
Eventos de observação do lançamento foram organizados em todo o país, incluindo polos espaciais como Seattle, Houston e Huntsville, Alabama, onde o estágio central do SLS é produzido. Centenas de milhares de pessoas acompanharam as transmissões ao vivo.
O que é o projeto Artemis, da Nasa
Com o programa Artemis — nome inspirado na deusa gêmea de Apolo — a Nasa pretende manter presença de longo prazo na Lua. O chefe da agência espacial durante o governo Donald Trump, Jared Isaacman, apresentou um plano de US$ 30 bilhões para estabelecer uma base lunar onde astronautas possam viver e trabalhar.
Isaacman também acelerou mudanças na missão, incluindo um teste em 2027 que enviará uma tripulação para acoplar a um módulo lunar construído pela SpaceX, de Elon Musk, e pela Blue Origin, de Jeff Bezos.
A cerca de uma hora do lançamento, a agência informou que investigava um problema de bateria no foguete, posteriormente resolvido.
A tripulação passará aproximadamente quatro dias viajando até a vizinhança lunar, onde contornará o lado oculto da Lua — uma perspectiva invisível da Terra — e realizará um sobrevoo em 6 de abril.
Se tudo ocorrer conforme o planejado, a trajetória os levará a cerca de 6.618 km da Lua no ponto de maior aproximação, quando o astro deverá parecer do tamanho de uma bola de basquete vista pela janela da cápsula.
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Wiseman, veterano da Marinha com 27 anos de serviço e ex-chefe do escritório de astronautas da Nasa, é acompanhado por Victor Glover (piloto) e Christina Koch, que realizou a primeira caminhada espacial totalmente feminina. O canadense Jeremy Hansen fará sua primeira viagem ao espaço.
Cerca de três horas e meia após o lançamento, Glover deverá aproximar a Orion de um componente do SLS em órbita, demonstrando capacidade de aproximação entre espaçonaves — habilidade que poderá ser usada para acoplar módulos lunares no futuro.
No segundo dia de voo, o motor principal da Orion será acionado para colocar a tripulação na rota até a Lua.
Os Estados Unidos disputam o retorno à Lua com a China, que pretende enviar astronautas ao satélite natural antes do fim da década.
O país asiático ainda não levou humanos à superfície lunar, mas já realizou pousos no lado oculto e lidera um projeto de estação internacional de pesquisa próxima ao polo sul lunar.
A missão Artemis II tem vários marcos inéditos: Koch será a primeira mulher a voar próximo à Lua, Glover será o primeiro astronauta negro a fazê-lo, e Hansen será o primeiro canadense a viajar ao entorno lunar.
Trata-se apenas do segundo voo do foguete SLS, que sofreu atrasos e estouros de orçamento que adiaram o programa Artemis.
Após o sobrevoo lunar, a gravidade trará a tripulação de volta à Terra. No décimo dia de missão, a cápsula reentrará na atmosfera e amerissará no Oceano Pacífico, onde um navio de resgate e mergulhadores da Nasa e da Marinha dos EUA recuperarão a equipe.
-- Com a colaboração de Julie Johnsson.
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