Milei reforça ‘choque na economia’ e ajuste do estado ao tomar posse na Argentina

Novo presidente argentino fez duras críticas ao governo de Alberto Fernández e disse que não há espaço para reformas graduais, apenas para um “choque na economia”

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Por Bloomberg Línea
10 de Dezembro, 2023 | 01:31 PM

Bloomberg Línea — Depois de prestar juramento como presidente da Argentina neste domingo (10), Javier Milei se dirigiu ao povo argentino a partir das escadarias do Congresso Nacional.

O recém-empossado chefe de estado decidiu que suas primeiras palavras seriam nas escadarias, em vez de no interior do Palácio Legislativo, como é habitual, após receber a faixa e o bastão presidencial das mãos de Alberto Fernández.

“Hoje enterramos décadas de fracasso”, disse Milei em seu discurso. “Hoje começa uma nova era na Argentina, termina uma triste história de decadência e declínio. Os argentinos expressaram uma vontade de mudança que já não tem retorno”.

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Milei criticou o governo Fernández e disse que nenhum presidente recebeu uma herança pior do que a que ele está recebendo. “O kirchnerismo hoje nos deixa com déficit de 17% do PIB. Desses 17%, 15 pontos respondem ao déficit consolidado entre o Tesouro e o Banco Central”, afirmou.

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Quanto à sua agenda de reformas, ele afirmou que o ajuste recairá sobre o Estado e não sobre o setor privado e considerou necessário limpar os passivos remunerados do Banco Central. “Dessa forma, se porá fim à emissão de dinheiro. Lutaremos com unhas e dentes para erradicar a inflação. O governo que está saindo nos deixou com uma hiperinflação e é nossa prioridade máxima fazer todos os esforços possíveis para evitá-la”, destacou Milei. “Não há solução alternativa além do ajuste”.

Milei também criticou o câmbio artificialmente valorizado do país. “O controle cambial, outra herança deste governo, não constitui apenas um pesadelo social e produtivo. Além disso, o excesso de dinheiro na economia hoje é o dobro do que estava antes do plano Rodrigazo, que multiplicou por seis vezes a taxa de inflação”, apontou.

O presidente eleito também disse que não há espaço para discussão entre uma agenda de choque ou de mudanças graduais. “Para fazer gradualismo, é necessário haver financiamento, mas, infelizmente, não há dinheiro. A conclusão é que não há alternativa além do ajuste”, reiterou. “Haverá estagflação, mas não é muito diferente do que aconteceu nos últimos 12 anos”, disse. “Este é o último contratempo para começar a reconstrução da Argentina”, prometeu. “Haverá luz no final do caminho”.

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Ele destacou que o desafio pela frente é titânico.” “Trabalharemos incansavelmente e chegaremos ao destino”, disse Milei no final de seu discurso. “O desafio é enorme, mas o enfrentaremos com convicção.” Ele também afirmou: “Prefiro dizer uma verdade incômoda do que uma mentira confortável.”

Milei observou ainda que a situação deve piorar no curto prazo. “Veremos os frutos do nosso esforço mais tarde. Também sabemos que nem tudo está perdido, disse ele. “Hoje começamos a desfazer o caminho da decadência. Este novo contrato social nos propõe um país diferente. Que as forças do céu nos acompanhem neste desafio.”

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