Bloomberg — O chanceler alemão, Friedrich Merz, pediu que a União Europeia implemente o recém-assinado acordo comercial com o Mercosul em caráter provisório, de forma a evitar na prática a revisão judicial do pacto arquitetada por seus adversários no Parlamento Europeu.
A “legitimidade democrática” do acordo da UE com o bloco que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai está fora de qualquer discussão, disse Merz a jornalistas na sexta-feira (23), após conversas com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni em Roma.
O acordo pode entrar em vigor provisoriamente assim que a primeira dessas nações sul-americanas o ratificar, disse ele.
“Lamento muito que o Parlamento Europeu tenha tomado sua decisão em um momento em que o mundo espera que a União Europeia demonstre sua capacidade de agir”, disse Merz, em referência às ameaças crescentes de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobre o continente.
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“Não podemos nos deixar deter por aqueles que querem usar a alavanca da política comercial para enfraquecer a Europa.”
Na última semana, a UE aprovou o acordo com o Mercosul após mais de 25 anos de negociações, levando-o adiante apesar das fortes objeções da França, que argumentou que o acordo de livre comércio prejudicaria a agricultura europeia.
O governo de Meloni também teve dúvidas iniciais, mas acabou apoiando o pacto. Meloni reiterou essa posição na sexta-feira (23), dizendo que era um “acordo equilibrado”, em parte graças ao seu lobby, e que deveria entrar em vigor.
Os líderes da UE levantaram a questão da aplicação provisória do acordo do Mercosul durante uma cúpula em Bruxelas na quinta-feira (22), de acordo com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Ela disse que a Comissão Europeia, que lida com questões comerciais para a UE, ainda não decidiu sobre a aplicação do acordo comercial.
Merz e Meloni falaram em uma entrevista coletiva de imprensa conjunta após as consultas entre os governos alemão e italiano com ministros seniores de ambos os países.
Merz está em busca de aprofundar os laços da Alemanha com a Itália, depois de ficar frustrado com as crescentes divisões com o presidente francês Emmanuel Macron em áreas políticas como comércio e defesa, além de como lidar com um presidente dos EUA de comportamento cada vez mais errático, Donald Trump.
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Em um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos na quinta-feira, o líder conservador alemão disse que esperava que o eixo Berlim-Roma produzisse “ideias quase revolucionárias” para estimular o crescimento econômico e ajudar a criar “uma Europa rápida e dinâmica”.
Merz e Meloni não são companheiros políticos óbvios - o partido Irmãos da Itália, do premiê italiano, tem suas raízes no movimento fascista do país -, mas concordaram em apresentar propostas conjuntas sobre como impulsionar a competitividade aos seus homólogos da UE em uma cúpula na Bélgica em 12 de fevereiro.
-- Com a colaboração de Jenni Thier, Richard Bravo e Chiara Albanese.
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