Bloomberg — O presidente americano, Donald Trump, disse que busca negociações imediatas para que os Estados Unidos adquiram a Groenlândia, ao mesmo tempo em que afirmou que não planejava usar a força, durante um discurso para a elite empresarial e política mundial em Davos, nesta quarta-feira (21).
“Estou buscando negociações imediatas para discutir mais uma vez a aquisição da Groenlândia pelos Estados Unidos, assim como adquirimos muitos outros territórios ao longo de nossa história”, disse Trump aos participantes do Fórum Econômico Mundial na Suíça.
Trump apresentou a anexação americana da Groenlândia como essencial para a segurança coletiva e minimizou o perigo que ela representaria para a Otan, enquanto sugeria que os EUA ainda não receberam o suficiente em troca de suas contribuições durante e após a Segunda Guerra Mundial para garantir a proteção de seus parceiros econômicos.
E o presidente dos EUA mencionou a ameaça de uso da força militar para tomar a ilha, embora tenha insistido que ainda não queria recorrer a essa opção.
“Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força e poder excessivos, o que seríamos, francamente, ‘imparáveis’. Mas não farei isso”, disse Trump.
O discurso de Trump em Davos, sua primeira visita ao evento desde que retornou ao poder, representou um desafio contundente aos líderes aliados, que têm se irritado com sua pressão incessante para assumir o controle da ilha ártica, uma crise que ofuscou todo o fórum.
“Você pode dizer sim e ficaremos muito agradecidos, ou pode dizer não e vamos nos lembrar”, afirmou.
Nos últimos dias, os líderes europeus têm discutido como responder às exigências de Trump, incluindo possíveis retaliações econômicas, mas o presidente dos EUA tem rejeitado essas ameaças, sugerindo que os aliados têm mais a perder ao se oporem à sua agenda. Nesta quarta-feira, Trump insistiu que permitir aos EUA adquirir a Groenlândia reforçaria a segurança coletiva e não colocaria a OTAN em risco, mesmo enquanto menosprezava a aliança militar.
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“Isso não seria uma ameaça à OTAN. Isso aumentaria enormemente a segurança de toda a Aliança”, disse Trump. “Os Estados Unidos são tratados de forma muito injusta pela OTAN”, acrescentou. “Damos muito e recebemos tão pouco em troca.”
Contudo, mesmo ao tentar defender seu argumento, Trump adotou um tom nitidamente confrontacional, ridicularizando o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, por comentários críticos no fórum e por dizer que o vizinho do norte deveria ser mais grato pela segurança fornecida pelos EUA.
O presidente americano também exaltou suas políticas como responsáveis por inaugurar um boom econômico americano e disse que sua agenda oferecia um exemplo a ser seguido pela Europa.
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“Ontem marcou o aniversário de um ano da minha posse e hoje, 12 meses depois de voltar à Casa Branca, nossa economia está em expansão. O crescimento está explodindo, a produtividade está disparando, o investimento está em alta e a renda está subindo. A inflação foi derrotada”, disse Trump.
O discurso representou um duro alerta para a Europa ao sugerir que os governos liberais do continente estavam ficando para trás em relação aos EUA e que os líderes precisavam seguir seu modelo para atender às necessidades de seus cidadãos.
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“Os EUA são o motor econômico do planeta e, quando a América prospera, o mundo inteiro prospera, tem sido a história quando dá errado, dá errado”, disse Trump.
“Eu amo a Europa e quero ver a Europa prosperar, mas ela não está indo na direção certa.”
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