Bloomberg — Os aliados dos Estados Unidos ofereceram uma resposta comedida depois que as tropas norte-americanas capturaram o líder venezuelano Nicolas Maduro em um ataque no último fim de semana.
Na Ásia, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e a Tailândia evitaram condenar a ação, enfatizando a diplomacia, o diálogo e a estabilidade.
As Filipinas foram um pouco mais longe, apontando para as “considerações de segurança subjacentes” de Washington, ao mesmo tempo em que pediam a todas as partes que respeitassem o direito internacional.
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Essa contenção contrastou com reações mais estridentes em outros lugares, expondo uma divisão entre os parceiros de Washington e os países que se opõem abertamente à medida.
A China denunciou a ação dos EUA, chamando-a de uso flagrante da força e pedindo a Washington que “pare de violar a soberania e a segurança de outros países”.
No Sudeste Asiático, a crítica mais forte veio do primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, que havia saudado Trump em outubro por um acordo de paz muito divulgado entre a Tailândia e o Camboja.
Anwar pediu a libertação de Maduro e descreveu a invasão como “uma clara violação do direito internacional e equivale a um uso ilegal da força contra um Estado soberano”.
Os aliados dos EUA fizeram referências ao estado de direito e às estruturas jurídicas internacionais, linguagem que refletia ansiedades regionais mais amplas, particularmente o risco de qualquer conflito futuro envolvendo a China e Taiwan, bem como preocupações com a Coreia do Norte.
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Esses temores foram reforçados quando Pyongyang realizou um teste de míssil hipersônico logo após a captura de Maduro.
“O governo japonês continuará a enfatizar a importância de restaurar a democracia na Venezuela o mais rápido possível”, disse o primeiro-ministro Sanae Takaichi na segunda-feira.
“O Japão tem respeitado consistentemente os valores e princípios fundamentais, como a liberdade, a democracia e o Estado de Direito.”
A cautela também reflete considerações mais práticas. No ano passado, vários aliados dos EUA na Ásia, incluindo o Japão e a Coreia do Sul, garantiram acordos comerciais que reduziram a ameaça de tarifas mais altas dos EUA após meses de negociações.
Ao mesmo tempo, esses países dependem muito dos EUA para sua segurança.
O Japão, em particular, está enfrentando tensões crescentes com a China após os comentários de Takaichi sobre o potencial de ação militar em relação a Taiwan, tornando ainda mais difícil a crítica aberta às ações de Washington na América do Sul.
Europa
Um padrão semelhante ocorreu na Europa, com muitos dos aliados de Trump evitando uma condenação direta.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reafirmou o apoio ao direito internacional e disse que a Grã-Bretanha discutiria a situação com seus homólogos norte-americanos, enquanto o presidente francês Emmanuel Macron observou que os venezuelanos libertados da ditadura de Maduro só poderiam “se alegrar”.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que a ação dos EUA era uma resposta “legítima” ao que seu gabinete descreveu como ataques contra a segurança dos EUA por meio do tráfico de drogas, embora tenha acrescentado que a intervenção militar não era “o caminho a seguir” para acabar com o regime totalitário.
A reticência destaca uma mudança preocupante, disse Alicia Garcia Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico da Natixis.
“O compromisso do Ocidente com uma ordem baseada em regras parece, na melhor das hipóteses, seletivo”, disse ela em um post no X.
Ela acrescentou que, embora a China e a Rússia se oponham publicamente à medida dos EUA, elas podem acolher a erosão das restrições internacionais, o que poderia encorajar suas buscas geopolíticas, já que os EUA estão preocupados.
“Essa agitação sinaliza não apenas o fim de um regime, mas uma erosão mais ampla da estabilidade global, em que a conveniência ofusca os valores estabelecidos, arriscando mais desordem”, disse ela.
-- Com a colaboração de Ramsey Al-Rikabi, Anisah Shukry, Swati Pandey, Claire Jiao, Donato Paolo Mancini e Isobel Finkel.
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