Bloomberg Línea — Um dos maiores símbolos aspiracionais de riqueza, os relógios Rolex foram a marca da relojoaria de luxo que, naturalmente, teve a maior quantidade de furtos e perdas em 2025, ano em que os registros de peças furtadas ou extraviadas atingiram um recorde, segundo The Watch Register.
Em 2025, os relógios registrados como roubados ou perdidos somaram 10.000 unidades com números de série únicos — o equivalente a mais de uma peça reportada por hora — informou a entidade, que mantém a maior base de dados internacional de exemplares subtraídos ou desaparecidos.
Segundo The Watch Register, a plataforma concentra 114.000 relógios registrados, cujo valor acumulado é estimado em £ 1,7 bilhão, equivalente a cerca de US$ 2,312 bilhões pela taxa de câmbio de 16 de fevereiro (US$ 1,36 por £1).
“Em setembro de 2025, The Watch Register alcançou o marco de 5.000 relógios perdidos e roubados identificados desde sua fundação, há pouco mais de uma década”, afirmou a entidade, sediada em Londres, em comunicado.
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Rolex representa 51% dos roubos e perdas
A Rolex continuou a ser “a marca mais visada” e respondeu por 51% dos relógios registrados como perdidos ou roubados, informou a empresa, que reúne informações coletadas ao longo de mais de 35 anos.
A companhia, que pertence à Art Loss Register, tem colaborado com diversas autoridades — incluindo polícias de vários países — em alguns casos, segundo a CNN.
Fatores como a popularização de leilões especializados em relojoaria e o crescimento do mercado de segunda mão facilitaram a circulação de relógios roubados.
Em seu relatório “The State of Fashion 2026: When the Rules Change”, a McKinsey destacou que “relógios, joias e bolsas são populares como peças de investimento”.
A isso se soma a estabilidade do mercado secundário, que, após cinco anos de quedas, mostra sinais de recuperação, de acordo com a Bloomberg. O índice Bloomberg Subdial Watch, baseado nos 50 relógios mais negociados em valor de transação, atingiu seu nível mais alto em mais de dois anos.
No último ano, The Watch Register rastreou relógios roubados em 34 países da América do Norte e do Sul, Europa, Ásia, Norte da África, Austrália e Oriente Médio.
“O mercado global de relógios de segunda mão está utilizando ativamente nossa base de dados como ferramenta para combater o crime relacionado a relógios”, afirmou em comunicado Katya Hills, diretora-executiva da companhia.
“Cada vez mais, as recuperações envolvem peças transferidas entre países e continentes para evitar a detecção.”
Diante desse cenário, a plataforma registrou aumento em sua base de clientes. Em 2025, por exemplo, o número de clientes corporativos nos Estados Unidos cresceu 78%.
“Isso reflete maior preocupação entre comerciantes americanos com roubos transfronteiriços e a lavagem de relógios roubados por meio de mercados internacionais”, disse a entidade no comunicado.
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