Bloomberg — A Audi decidiu relançar o peculiar A2, apostando que um modelo adaptado aos gostos europeus possa ajudar a restaurar os lucros em declínio da marca do grupo Volkswagen.
O compacto elétrico A2 e-tron estará à venda a partir de € 38.200 (US$ 44.700) na Alemanha, com autonomia de até 646 quilômetros com uma única carga, informou a Audi nesta segunda-feira (7).
O carro dá nova vida ao A2, um modelo não convencional com carroceria de alumínio cuja produção foi encerrada em 2005 e cujo estilo de minivan o tornava um caso à parte na linha da marca de luxo.
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O retorno do A2, com aparência mais parecida com um dos populares modelos crossover atuais, anuncia mudanças mais amplas para a Audi.
O diretor da marca, Gernot Döllner, colocou a Europa de volta no centro da recuperação da marca, rompendo com a ideia de que carros amplamente semelhantes possam atender compradores em qualquer lugar.
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As mudanças ocorrem em um momento em que a Audi perdeu participação de mercado na China, ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades nos Estados Unidos devido à falta de produção local. A controladora Volkswagen está passando por sua própria reestruturação profunda, com foco em menos modelos, menor complexidade e custos mais baixos.
“O A2 e-tron foi desenvolvido com um foco claro na Europa, no modo como as pessoas vivem, dirigem e utilizam seus carros aqui”, afirmou Döllner. “Isso demonstra como concebemos o conceito de premium para a Europa, utilizando os recursos de forma mais inteligente.”
A Audi aposta que poderá atender aos gostos regionais sem criar duplicações dispendiosas em termos de tecnologia. O A2, que será fabricado em sua principal fábrica em Ingolstadt, baseia-se na mesma plataforma utilizada para produzir modelos elétricos como o VW ID.3 e o ID.4, o Audi Q4 e-tron, o Škoda Enyaq e o Cupra Born.
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Melhorar as vendas e os lucros da Audi é fundamental para o Grupo Volkswagen. As vendas da marca despencaram na China e nos Estados Unidos, deixando a Europa como a principal região onde as entregas estão crescendo.
Durante o primeiro semestre do ano, o chamado grupo de marcas “Progressive” da Volkswagen, que inclui a Audi, gerou uma margem operacional de apenas 3,8%, muito abaixo da meta de 14% para 2030.
Internamente, a Audi tem enfrentado dificuldades com mudanças rápidas na gestão, enquanto seu modelo de negócios global enfrenta amplos desafios.
Ao contrário das rivais BMW e Mercedes-Benz, a montadora não possui produção própria nos Estados Unidos, o que a expõe a tarifas.
No mercado interno, as tensões com os trabalhadores se intensificaram depois que a equipe de gestão do CEO da Volkswagen, Oliver Blume, identificou a fábrica da Audi em Neckarsulm como uma das fábricas alemãs cujo futuro a longo prazo está em dúvida.
Para a Audi, o A2 deve demonstrar os primeiros sucessos dessa reformulação. A empresa afirma que o modelo chegará ao mercado 21 meses mais cedo do que programas anteriores comparáveis. Ele utilizará componentes existentes e robôs já calibrados para outros veículos, reduzindo a necessidade de novos investimentos.
Ele se junta a uma onda de veículos elétricos urbanos com um toque retrô, à medida que as montadoras europeias recorrem a seus catálogos antigos — algo que recém-chegadas chinesas, como a BYD, não conseguem copiar facilmente.
Entre eles estão o R5 elétrico da Renault e o Grande Panda da Fiat, que incorporam sistemas de propulsão modernos em silhuetas familiares.
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