Toffoli se afasta de caso do Master no STF sob pressão por conexões com Vorcaro

Ministro do STF decidiu deixar a relatoria do caso após reunião com os demais membros da Corte; relatório da PF apontou conexões financeiras de Toffoli com cunhado do empresário dono do Master

Por

Bloomberg — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli deixará de supervisionar a investigação sobre a suposta fraude financeira no Banco Master, após relatório da Polícia Federal (PF) levantar questionamentos sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do banco e seu ex-CEO.

Toffoli concordou em abrir mão da condução do caso nesta quinta-feira (12), depois de horas de reuniões com outros ministros para discutir o relatório da PF, segundo comunicado assinado por integrantes da Corte. O ministro André Mendonça foi escolhido como o novo relator após um sorteio.

Leia também: Fictor quase comprou o Banco Master há três meses. Agora pede recuperação judicial

No início da semana, autoridades entregaram um relatório ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, alegando que Toffoli teria mantido contato com Daniel Vorcaro.

O documento também menciona transferências financeiras relacionadas à venda de um resort parcialmente pertencente a Toffoli para fundos de investimento ligados a ao cunhado de Vorcado, Fabiano Zettel.

No comunicado, os ministros manifestaram apoio a Toffoli e afirmaram que os atos praticados por ele enquanto esteve à frente do caso permanecem válidos.

Eles também declararam não haver “qualquer suspeição ou impedimento” contra o colega, ressaltando que ele “atendeu a todas as solicitações formuladas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República”.

A investigação sobre o Master provocou forte repercussão no sistema financeiro e no meio político brasileiro, dada a reputação de Vorcaro de manter relações próximas com políticos influentes e altos funcionários em Brasília.

Crise de credibilidade

O caso lançou especial escrutínio sobre Toffoli e sobre o próprio Supremo, levando a Corte ao que pode ser sua mais profunda crise de credibilidade desde a redemocratização do país, há quatro décadas.

Além de Toffoli, o ministro Alexandre de Moraes também enfrentou questionamentos sobre serviços jurídicos prestados ao Master por um escritório ligado à sua esposa.

Moraes já afirmou anteriormente que o escritório de sua esposa “jamais atuou” em processo relacionado à proposta de fusão do Master com o estatal Banco de Brasília (BRB).

A liquidação do banco, em novembro, ocorreu após meses de investigação sobre supostas fraudes financeiras. A controvérsia envolvendo o Supremo ganhou força especialmente após a decisão de Toffoli de atrair o caso para a jurisdição da Corte.

Depois que o Banco Central concluiu sua apuração e encaminhou provas à Polícia Federal e ao Ministério Público — movimento que levou à prisão de Vorcaro e à sua posterior liberação com monitoramento eletrônico — Toffoli interveio após argumentos da defesa de que diligências investigativas poderiam envolver pessoas com foro privilegiado por prerrogativa de função.

O ministro também proferiu uma série de decisões sucessivas sobre o tratamento das provas, chegando a colocar documentos e dispositivos eletrônicos sob sigilo do Supremo antes de posteriormente transferi-los ao Ministério Público e, por fim, restringir o acesso a um grupo reduzido de peritos da Polícia Federal.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Fundo de pensão do Rio é alvo de operação da PF após investir em ativos do Master

Rombo do BRB pode superar R$ 5 bilhões por operações com o Master, estima BC

Mansueto: próximo governo precisa de plano fiscal crível ou pode estressar o mercado