Bloomberg Línea — O mapa do segundo turno da eleição presidencial de 2026 repetiu a divisão regional que marca as disputas no Brasil desde 2006, com um país separado entre o Nordeste e o Centro-Sul.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) com 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), ante 48,21% (59.826.041 votos) do senador Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de 4.430.191 votos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 100% das seções apuradas.
Ainda assim, o petista venceu em menos unidades da federação que o adversário.
Lula ficou à frente em 13 estados. Flávio venceu em outros 13 e no Distrito Federal.
A reeleição foi garantida pelo Nordeste. O petista venceu nos nove estados da região e somou 24,5 milhões de votos, ante 10,8 milhões de Flávio, um saldo de 13,7 milhões de votos. Nas demais regiões, o senador teve 9,3 milhões de votos a mais que Lula.
As maiores votações do presidente vieram do Piauí, onde ele recebeu 75,88% dos votos válidos, e da Bahia, com 71,31%.
A Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, deu a Lula o maior saldo entre todos os estados, de 3,9 milhões de votos.
Pernambuco e Ceará vieram em seguida, com vantagem de 2,3 milhões e 2,2 milhões de votos para o petista, respectivamente.
Flávio teve o melhor desempenho no Sul e no Centro-Oeste. O senador venceu nos três estados do Sul e acumulou saldo de 4,6 milhões de votos na região, com destaque para Santa Catarina, onde recebeu 69,42% dos votos válidos.
No Centro-Oeste, ele venceu nos três estados e no Distrito Federal, com saldo de 1,9 milhão de votos. A maior votação de Flávio entre todas as unidades da federação veio de Roraima, com 72,46%.
O maior saldo do senador veio de São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Flávio recebeu 53,85% dos votos válidos no estado, ante 46,15% de Lula, uma vantagem de 2 milhões de votos. O senador também venceu no Rio de Janeiro, seu reduto eleitoral, e no Espírito Santo.
No Sudeste, a exceção foi Minas Gerais. Lula venceu no segundo maior colégio eleitoral do país por 50,43% a 49,57%, uma diferença de 109 mil votos e a disputa mais apertada do país em pontos percentuais.
Com o resultado, o petista manteve a escrita de que o candidato vitorioso em Minas leva a Presidência, observada em todas as eleições desde a redemocratização.
Ainda assim, Flávio terminou a região com saldo de 2,8 milhões de votos.
O Norte ficou dividido. Lula venceu no Pará, no Amazonas e no Amapá, enquanto Flávio ganhou em Roraima, Rondônia, Acre e Tocantins. Amapá e Tocantins tiveram as menores diferenças em votos do país, de cerca de 25 mil votos cada. Na soma da região, Lula terminou com 1.079 votos a mais que o adversário.
Compareceram às urnas 128,2 milhões de eleitores, o equivalente a 80,8% dos 158,7 milhões aptos a votar. Os votos em branco somaram 1,12% do total.
O desenho regional reforça o quadro político que Lula vai encontrar no quarto mandato, que começa em 5 de janeiro de 2027. O PL de Flávio terá a maior bancada da Câmara e do Senado a partir de fevereiro.
Veja o resultado do segundo turno em cada estado
Norte
- Acre: Flávio Bolsonaro, 66,57% (287.715 votos); Lula, 33,43% (144.513)
- Amapá: Lula, 52,88% (222.968 votos); Flávio Bolsonaro, 47,12% (198.674)
- Amazonas: Lula, 54,02% (1.145.783 votos); Flávio Bolsonaro, 45,98% (975.245)
- Pará: Lula, 55,02% (2.690.449 votos); Flávio Bolsonaro, 44,98% (2.199.940)
- Rondônia: Flávio Bolsonaro, 69,61% (674.382 votos); Lula, 30,39% (294.446)
- Roraima: Flávio Bolsonaro, 72,46% (219.675 votos); Lula, 27,54% (83.505)
- Tocantins: Flávio Bolsonaro, 51,37% (467.916 votos); Lula, 48,63% (442.962)
Nordeste
- Alagoas: Lula, 60,77% (1.152.621 votos); Flávio Bolsonaro, 39,23% (744.140)
- Bahia: Lula, 71,31% (6.485.258 votos); Flávio Bolsonaro, 28,69% (2.608.761)
- Ceará: Lula, 68,93% (4.036.124 votos); Flávio Bolsonaro, 31,07% (1.819.478)
- Maranhão: Lula, 69,54% (2.808.231 votos); Flávio Bolsonaro, 30,46% (1.229.971)
- Paraíba: Lula, 67,46% (1.794.059 votos); Flávio Bolsonaro, 32,54% (865.210)
- Pernambuco: Lula, 69,2% (4.117.513 votos); Flávio Bolsonaro, 30,8% (1.832.554)
- Piauí: Lula, 75,88% (1.653.989 votos); Flávio Bolsonaro, 24,12% (525.859)
- Rio Grande do Norte: Lula, 65,72% (1.413.596 votos); Flávio Bolsonaro, 34,28% (737.409)
- Sergipe: Lula, 69,53% (989.041 votos); Flávio Bolsonaro, 30,47% (433.354)
Centro-Oeste
- Distrito Federal: Flávio Bolsonaro, 54,28% (979.542 votos); Lula, 45,72% (825.224)
- Goiás: Flávio Bolsonaro, 59,66% (2.345.334 votos); Lula, 40,34% (1.585.555)
- Mato Grosso: Flávio Bolsonaro, 66,06% (1.351.099 votos); Lula, 33,94% (694.167)
- Mato Grosso do Sul: Flávio Bolsonaro, 59,6% (927.892 votos); Lula, 40,4% (628.973)
Sudeste
- Espírito Santo: Flávio Bolsonaro, 56,37% (1.294.504 votos); Lula, 43,63% (1.001.965)
- Minas Gerais: Lula, 50,43% (6.351.099 votos); Flávio Bolsonaro, 49,57% (6.241.786)
- Rio de Janeiro: Flávio Bolsonaro, 53,1% (5.169.033 votos); Lula, 46,9% (4.565.393)
- São Paulo: Flávio Bolsonaro, 53,85% (14.139.178 votos); Lula, 46,15% (12.119.274)
Sul
- Paraná: Flávio Bolsonaro, 62,58% (4.291.444 votos); Lula, 37,42% (2.566.504)
- Rio Grande do Sul: Flávio Bolsonaro, 57,84% (3.874.378 votos); Lula, 42,16% (2.824.552)
- Santa Catarina: Flávio Bolsonaro, 69,42% (3.220.071 votos); Lula, 30,58% (1.418.314)