PP veta Tereza Cristina como vice em novo revés para campanha de Flávio Bolsonaro

Candidato a presidente chegou a anunciar que a senadora havia aceitado seu convite para compor sua chapa, mas partido dela consultou diretórios estaduais e decidiu permanecer neutro na eleição de outubro

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Bloomberg — O Partido Progressistas impediu a senadora Tereza Cristina de se tornar candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de outubro, impondo mais um revés à sua conturbada campanha.

Na manhã desta sexta-feira (31), Flávio disse a jornalistas que havia convidado a ex-ministra da Agricultura no governo de seu pai, que mantém fortes vínculos com o agronegócio brasileiro, para integrar sua chapa. “O convite foi feito e ela aceitou”, afirmou, descrevendo-a como uma figura política “excepcional” e amplamente respeitada.

Mas o PP rejeitou prontamente a ideia, afirmando que decidiu se manter neutro nas eleições presidenciais e, portanto, impedindo a senadora de aceitar o convite.

A decisão representa o mais recente revés para uma campanha que tem lutado para ganhar força a cerca de dois meses da votação.

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Flávio Bolsonaro está atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto desde que reconheceu, em maio, que buscou recursos de Daniel Vorcaro, o homem no centro de uma ampla investigação de fraude, para produzir um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Uma intensa disputa familiar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que veio à tona em junho, complicou ainda mais a situação.

O presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, que foi ministro-chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, afirmou que o partido consultou seus diretórios estaduais e decidiu, por maioria, permanecer neutro na eleição de outubro. A decisão já havia sido comunicada a Tereza Cristina, líder da legenda no Senado, que acatou, disse Nogueira em comunicado enviado à Bloomberg News nesta sexta-feira.

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Mais tarde, Flávio Bolsonaro afirmou que respeitava a decisão do Progressistas de permanecer neutro e acrescentou que continuaria negociando com outros partidos antes do prazo final de 5 de agosto para definir um candidato, ou candidata, a vice. Ele agradeceu ao Progressistas e disse se sentir honrado por Tereza Cristina ter aceitado o convite, acrescentando que questões internas do partido impediram o avanço da aliança.

“Sou brasileiro e não desisto nunca”, disse ele.

O senador prometeu escolher uma mulher para o cargo de vice-presidente, como parte de um esforço para ampliar seu apoio entre o eleitorado feminino, que apoiou Lula há quatro anos. Mas, com a aproximação do prazo final, essa promessa tornou-se mais um lembrete do pouco controle que Flávio tem exercido sobre sua campanha.

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Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar os vínculos de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, enquanto o candidato de direita negou outras acusações de que seu escritório de advocacia teria recebido recursos de uma empresa ligada ao Banco Master, instituição financeira que Vorcaro comandou no passado.

Flávio negou qualquer irregularidade, mas a turbulência tem prejudicado seus esforços para construir alianças essenciais com partidos do Centrão.

“Até o dia 5, tudo pode acontecer”, disse ele.

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