Bloomberg — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem pouco velada a Donald Trump em um discurso na Organização das Nações Unidas, alertando os países estrangeiros para que não se intrometam na eleição presidencial de outubro.
Falando logo antes do presidente dos EUA na Assembleia Geral da ONU na terça-feira (22), Lula insistiu que o Brasil “não permitirá que os inimigos da democracia, sejam eles internos ou externos, minem a vontade popular”.
“A democracia do Brasil pertence aos brasileiros”, afirmou ele, sem mencionar diretamente os EUA ou seu presidente.
As declarações foram feitas a menos de duas semanas da eleição presidencial de 4 de outubro, com as pesquisas indicando um empate técnico entre Lula e o senador de direita Flávio Bolsonaro. Ao contrário do ano passado, quando um breve encontro na ONU ajudou a dar início a uma reaproximação entre Lula e Trump, os líderes não conversaram nos bastidores.
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O governo brasileiro tem estado em alerta quanto a possíveis esforços dos EUA para apoiar Flávio Bolsonaro desde julho, quando os EUA voltaram a impor tarifas sobre muitos dos produtos do país. Posteriormente, o governo de Lula negou vistos a dois altos funcionários do Departamento de Estado devido a preocupações de que eles pretendessem levantar dúvidas sobre o sistema de votação eletrônica do país durante uma visita planejada.
Trump impôs inicialmente tarifas ao Brasil no ano passado, em uma tentativa malfadada de ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro — pai de Flávio e aliado próximo de Trump — a evitar um julgamento por acusações de tentativa de golpe.
Eduardo Bolsonaro, outro dos filhos do ex-líder, tem, nas últimas semanas, pressionado o governo Trump a reimpor sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal do Brasil antes da votação. A Suprema Corte do Brasil, que condenou Jair Bolsonaro no ano passado, está mergulhada em uma grave crise institucional que impulsionou a tentativa de Flávio Bolsonaro de derrubar Lula.
Lula tem acusado repetidamente os EUA de ameaçar a soberania brasileira desde o início da disputa comercial, argumentos que, em alguns momentos, impulsionaram sua popularidade. Ele afirmou que Trump se comprometeu a não interferir na eleição quando conversaram por telefone no mês passado.
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Autoridades brasileiras esperavam um novo encontro com Trump, como parte de uma estratégia para centrar as relações entre os EUA e o Brasil em contatos diretos entre ambos antes da eleição.
Apesar de suas diferenças ideológicas, Lula e Trump conversaram várias vezes desde o ano passado, frequentemente comprometendo-se a trabalhar juntos. Após se encontrarem na Casa Branca em maio, Trump elogiou seu homólogo nas redes sociais.
A agência de inteligência brasileira alertou recentemente o governo e o Tribunal Superior Eleitoral sobre a possibilidade de pressão dos EUA em relação às eleições, informou a Folha de S.Paulo, citando um documento confidencial.
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O governo de Lula também tem buscado reforçar a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro, destacando sua confiabilidade e segurança. O TSE convidou observadores internacionais para acompanhar a votação, como já fez em eleições anteriores.
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