Haddad defende a supervisão de fundos de investimento pelo Banco Central

Para o ministro da Fazenda, a medida fortaleceria a supervisão do sistema financeiro após a liquidação do Banco Master, que disse poder ser a maior fraude bancária da história do país

Segundo o ministro da Fazenda, a proposta está sendo discutida pela autoridade monetária e pela Procuradoria Geral da República
Por Martha Beck
19 de Janeiro, 2026 | 05:00 PM

Bloomberg — O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que o Banco Central (BC) tenha autoridade para regular os fundos de investimento, argumentando que a medida fortaleceria a supervisão do sistema financeiro após a liquidação do Banco Master.

Haddad disse que defendeu a transferência da regulamentação e da supervisão dos fundos de investimento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para o BC. A proposta está sendo discutida pela autoridade monetária e pela Procuradoria Geral da República, disse ele.

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“Seria uma resposta muito boa se ampliássemos o poder de supervisão do Banco Central sobre os fundos, porque assim tudo seria supervisionado e regulado em um só lugar”, disse Haddad em uma entrevista transmitida pelo UOL, acrescentando que essa é “mais ou menos a estrutura dos bancos centrais no mundo desenvolvido”.

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As autoridades brasileiras continuam a investigar se o Banco Master, que o BC liquidou em novembro, usou fundos de investimento controlados por uma empresa chamada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários para tentar inflar o valor dos ativos e obter liquidez. O BC também liquidou a CBSF, anteriormente conhecida como Reag, na semana passada.

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O presidente-executivo do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou qualquer irregularidade. Os advogados do fundador do Reag, João Carlos Mansur, que foi alvo de uma operação policial relacionada ao caso Master na semana passada, disseram então que não tinham acesso ao caso, mas que estavam disponíveis para prestar esclarecimentos às autoridades.

A transferência do poder de supervisão da CVM para o Banco Central representaria uma mudança significativa na estrutura regulatória financeira do Brasil, potencialmente reformulando a supervisão do setor de fundos de investimento. Haddad alertou que o caso do Banco Master pode, em última instância, ser a maior fraude bancária da história do país.

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O ministro também reiterou o apoio ao presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, cuja condução do caso foi alvo de escrutínio, incluindo uma ameaça, já abandonada, de um juiz do Tribunal de Contas da União de reverter a liquidação.

“Ele herdou problemas no Banco Master que foram criados antes de ele se tornar chefe do Banco Central”, disse Haddad, acrescentando que confia plenamente na supervisão de Galipolo sobre o caso.

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