Flávio afirma que vai trabalhar com EUA e China caso seja eleito presidente

Apesar da proximidade com o governo Trump, candidato filho do presidente Jair Bolsonaro afirma que ‘não vai tomar partido’

Por

Bloomberg — Flávio Bolsonaro afirmou que vai trabalhar com os Estados Unidos e a China caso seja eleito presidente, após um desempenho eleitoral surpreendente que o colocou em posição de se juntar a uma onda de líderes conservadores que estão aproximando a América Latina de Washington.

“Não vou tomar partido”, afirmou Bolsonaro em um evento em Brasília na quinta-feira (8). “Meu lado será o povo brasileiro, seja ao lidar com a China, Israel, o Oriente Médio, a Argentina ou a Índia. Não importa. É assim que vou governar.”

⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Bolsonaro ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições brasileiras no domingo, posicionando-se como favorito para o segundo turno marcado para 25 de outubro.

Leia também: De Kayath a Mansueto: os cotados para a economia de Flávio Bolsonaro, segundo fontes

A vitória de Bolsonaro completaria uma onda conservadora nas principais economias da América do Sul para os aliados de direita do presidente Donald Trump, que tem buscado reafirmar a influência dos Estados Unidos sobre um Hemisfério Ocidental que tem se aproximado cada vez mais da China.

Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, comprometeu-se a trabalhar em estreita colaboração com o governo Trump nas áreas de comércio e combate ao crime, ao mesmo tempo em que delineou planos para aderir à iniciativa de segurança “Escudo das Américas”, liderada pelos Estados Unidos. Ele visitou Trump na Casa Branca em maio.

No entanto, como presidente, ele assumiria o controle de uma economia fortemente dependente da China. O país asiático é, de longe, o maior parceiro comercial do Brasil e o principal comprador das exportações agrícolas que constituem a espinha dorsal da maior economia da América Latina.

Empresas chinesas também têm investido fortemente nos setores de energia, veículos elétricos e manufatura do Brasil, e grandes quantidades de bens de consumo produzidos na China entram no país diariamente.

Lula aprofundou os laços do Brasil com Pequim, ao mesmo tempo em que vem promovendo a diversificação de suas relações comerciais com outras partes do mundo.

Ele tem mantido uma relação de altos e baixos com Trump desde que os EUA impuseram tarifas sobre muitos produtos brasileiros no ano passado, como parte de uma tentativa malsucedida de ajudar Jair Bolsonaro a evitar uma condenação por acusações de tentativa de golpe.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Legacy, Vista e Ace acertam ‘trade’ da eleição e veem mais ganho no futuro

Importação chinesa ameaça até 90% dos empregos automotivos no Brasil, diz Stellantis