Citi aponta Brasil como exceção em cenário inflacionário pressionado na América Latina

México e Colômbia enfrentam inflação persistente devido aos salários e às políticas fiscais; o Brasil pode reduzir as taxas, enquanto a Costa Rica mantém a inflação baixa e uma política monetária rígida, diz relatório

Não existe uma história comum para o comportamento da inflação (e, portanto, das taxas) na América Latina, diz (Foto: Maria Magdalena Arrellaga/Bloomberg)
03 de Março, 2026 | 01:45 PM

Leia esta notícia em

Espanhol

Bloomberg Línea — O Citi continua a evidenciar uma divergência crescente nas trajetórias da inflação e das taxas de juros na América Latina para 2026, com melhores perspectivas para o Brasil e desafios persistentes na Colômbia e no México.

Embora a inflação tenha convergido para as metas dos bancos centrais na América Latina, isso ocorreu em ritmos diferentes.

PUBLICIDADE

“Essa divergência se deve a fatores idiossincráticos, como o impacto das políticas sobre os preços, a restrição do mercado de trabalho e as posições dos bancos centrais”, afirmou o Citi.

O banco destaca que a inflação convergiu para as faixas-alvo no Chile, Peru, Uruguai e República Dominicana. E considera provável que alcance para a meta em 2026 no Brasil.

Leia também: Na Argentina, alta da carne desafia esforço de Milei para controlar a inflação

PUBLICIDADE

No entanto, permanecerá acima da meta na Colômbia e no México em 2026. O Citi prevê que a Colômbia reduzirá a inflação em cerca de 200 pontos-base entre 2026 e 2027.

Por sua vez, o México só conseguirá reduzi-la em 50 pontos básicos, “mantendo-a próxima do limite superior da meta”.

“O ponto mais importante é que já não existe uma história comum para o comportamento da inflação (e, portanto, das taxas) na América Latina, mas sim que fatores idiossincráticos têm mais peso para 2026”, indicou.

PUBLICIDADE

O México e a Colômbia enfrentam uma inflação persistente devido ao efeito dos salários mínimos e das políticas fiscais.

O Citi destaca que o México também enfrenta aumentos nos impostos especiais e nas tarifas alfandegárias.

“Esses fatores exigem uma postura restritiva por parte dos respectivos bancos centrais”, afirmou o Citi.

PUBLICIDADE

Enquanto no Brasil as perspectivas melhoram devido à valorização do real e as expectativas de reajuste, a Costa Rica mantém uma inflação baixa com uma política restritiva.

A instituição financeira observa que a Costa Rica apresenta “uma inflação abaixo da meta e uma política monetária potencialmente muito restritiva, com margem limitada para uma flexibilização significativa sem a intervenção do Federal Reserve”.

Leia também: Venezuela e Argentina têm inflação mais alta na América Latina; Costa Rica tem deflação

Para este ano, o Citi prevê novos aumentos nas taxas de juros na Colômbia e no Uruguai, e cortes no Chile, na República Dominicana, no México e no Brasil.

De acordo com o Citi, “a divergência nas trajetórias da inflação de última milha e o comportamento agora contrastante dos bancos centrais da região tornam interessantes as transações relativas entre moedas e instrumentos de taxas na América Latina”.

A divergência nos fundamentos —inflação, finanças públicas e instituições — pode passar despercebida em ambientes externos favoráveis, como liquidez abundante ou um dólar fraco, que beneficiam os mercados emergentes.

Mas isso se tornará relevante se o cenário mudar, e os investidores começarão a distinguir rapidamente as economias com estruturas mais sólidas, de acordo com o Citi.

Projeções de inflação

-A Argentina encerrou o ano de 2025 com uma inflação de 45%.

Para 2026, a previsão da inflação na Argentina é de 25,5%, enquanto que para 2027 está projetada uma queda para 18%.

-A Colômbia registrou uma inflação de 5,1% em 2025 e a expectativa para 2026 é de 5,4%, com uma projeção de redução para 4,6% em 2027.

-O Brasil encerrou o ano anterior com uma inflação de 5%.

As estimativas atuais são de 3,6% em 2026, com uma previsão de ligeiro aumento para 3,8% em 2027.

-O Chile atingiu uma inflação de 4,2% em 2025, de acordo com o Citi.

Durante este ano de 2026, espera-se que o indicador desça para 2,8%, para depois subir para 3,5% em 2027.

-A República Dominicana encerrou 2025 com 3,9%. Para 2026, estima-se 4,4%, com uma projeção de queda para 4% em 2027.

-O México registrou um crescimento de 3,8% em 2025. As previsões para 2026 e 2027 permanecem estáveis em 3,9% ao ano.

-O Peru registrou 1,5% em 2025. As projeções para 2026 situam o índice em 1,7%, com uma expectativa de aumento para 2,6% em 2027.

-El Salvador encerrou 2025 com uma inflação de 0,6%. Para o presente ano, a projeção é de 1,3%, enquanto que para 2027 a estimativa é de 1,5%.

-O Panamá registrou 0,0% em 2025. A previsão para 2026 é de 0,9%, com uma projeção de fechamento de 1,7% para o próximo ano.

-A Costa Rica encerrou 2025 com um valor negativo de -0,1%. Para 2026, estima-se um valor de 0,0% e prevê-se que atinja 1,8% em 2027.