Brasil registra aumento de 12% nas exportações para os EUA, apesar de tarifas de Trump

País exportou um total de US$ 33,2 bilhões em agosto, levando a balança comercial a um superávit de US$ 7,4 bilhões, acima da estimativa média de analistas

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Bloomberg — O Brasil registrou superávit comercial maior do que o esperado em agosto, impulsionado por um aumento nas exportações para os Estados Unidos, apesar de um mês inteiro sob a vigência das tarifas de 25% impostas pelo presidente Donald Trump.

O país exportou, no total, US$ 33,2 bilhões no mês, um aumento de 12,2% em relação ao ano anterior, de acordo com dados do Ministério do Comércio divulgados nesta sexta-feira (4).

As importações totalizaram US$ 25,8 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 7,4 bilhões para o Brasil, valor superior à previsão mediana de US$ 7,1 bilhões feita por analistas em uma pesquisa da Bloomberg.

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As remessas para os Estados Unidos, em particular, aumentaram 12,1% em relação ao ano anterior, um resultado inesperado, uma vez que as novas tarifas alimentaram preocupações de que os exportadores brasileiros perdessem terreno no segundo maior parceiro comercial do país.

Embora haja exceções para mercadorias específicas, as tarifas abrangem uma variedade de produtos brasileiros e foram impostas após alegações dos Estados Unidos de práticas comerciais desleais.

Seu impacto econômico acabou entrelaçado com a política, à medida que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição em outubro e seu governo tenta negociar alívio por parte de Washington.

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Autoridades brasileiras têm mantido conversas com representantes americanos em um esforço para reverter as tarifas, tendo o próprio Lula ligado para Trump enquanto Brasília busca impedir que a disputa se agrave ainda mais. Ainda assim, o presidente afirmou em um evento na sexta-feira que, se os Estados Unidos deixarem de comprar produtos brasileiros, ele “não perderá tempo lamentando isso”.

Um mês de comércio resiliente não é suficiente para avaliar o impacto de longo prazo das tarifas. Os exportadores podem ter absorvido parte do custo adicional, contado com contratos assinados antes da entrada em vigor das tarifas ou se beneficiado da forte demanda por determinados produtos, deixando dúvidas sobre se o resultado de agosto pode ser sustentado.

“O Brasil tem enfrentado uma volatilidade significativa nas exportações para os Estados Unidos, com as medidas comerciais americanas gerando incerteza”, afirmou na sexta-feira Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Comércio do Brasil.

“O aumento nos embarques no mês passado foi impulsionado em grande parte pelos preços mais altos dos produtos vendidos aos Estados Unidos, e não por volumes maiores.”

Outro desafio está surgindo do outro lado do Atlântico. As remessas para a União Europeia aumentaram 46,4% em agosto, mas o Brasil enfrenta agora novas restrições à exportação de produtos de origem animal após não ter cumprido os requisitos do bloco que regulamentam o uso de certos medicamentos veterinários na pecuária.

As medidas podem se revelar particularmente dolorosas para o Brasil, o maior exportador mundial de carne bovina e de frango. Os compradores europeus costumam pagar preços médios mais elevados pela carne bovina brasileira do que muitos outros mercados.

Restaurar o acesso irrestrito pode levar anos, pois as autoridades da UE exigem informações que abranjam todo o ciclo de vida dos animais.

-- Com a colaboração de Dayanne Sousa, Giovanna Serafim e Jorge Valero.

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