Brasil nega visto a funcionários do governo Trump por risco de interferência eleitoral

Governo dos EUA planejava enviar dois altos funcionários do Departamento de Estado para avaliar a imparcialidade do sistema eleitoral, o que foi visto pelo Itamaraty como tentativa de influenciar a eleição

Por

Bloomberg — O Brasil negou vistos a dois altos funcionários do Departamento de Estado dos EUA que o governo Trump planejava enviar para avaliar a imparcialidade e a integridade do sistema eleitoral do país antes da votação presidencial de outubro.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou à Bloomberg News que havia negado os vistos.

O governo considerou a visita uma interferência eleitoral, segundo duas autoridades brasileiras que pediram para permanecer anônimas.

Não ficou claro com quem os diplomatas norte-americanos planejavam se reunir nem quais seriam suas atividades. O sistema eleitoral brasileiro é há muito considerado um modelo na América do Sul.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A Reuters e o Washington Post foram os primeiros a noticiar a recusa dos vistos. O Post noticiou a viagem planejada na sexta-feira, citando autoridades de ambos os governos que afirmaram que a intenção era levantar questões sobre o sistema eleitoral.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição, com pesquisas indicando que seu principal desafio virá do senador de direita Flávio Bolsonaro.

Leia também: Flávio Bolsonaro avança com candidatura à Presidência em meio a turbulências na campanha

O candidato é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado de Trump que atualmente cumpre prisão domiciliar por planejar um golpe após sua derrota nas eleições de 2022 para Lula. Bolsonaro é considerado inelegível por fazer alegações falsas sobre o sistema de votação eletrônica do Brasil durante a campanha daquele ano.

As tensões entre Trump e Lula reacenderam-se desde que os EUA impuseram tarifas de 25% sobre muitos produtos brasileiros neste mês, alegando práticas comerciais desleais. O governo de Lula negou as alegações, ao mesmo tempo em que acusou os EUA de tentarem interferir nos assuntos do Brasil.

A popularidade do líder de esquerda subiu em meio a uma disputa semelhante no ano passado, quando Trump impôs — e posteriormente suspendeu — tarifas sobre principais exportações brasileiras, em uma tentativa frustrada de ajudar Jair Bolsonaro a evitar o julgamento pela tentativa de golpe de estado. Atualmente, Lula lidera as pesquisas contra Flávio Bolsonaro.

Leia também: Governo reduz congelamento de gastos enquanto Lula intensifica campanha pela reeleição

⁠A delegação norte-americana prevista incluiria o secretário de Estado adjunto Riley Barnes e Samuel Samson, secretário adjunto adjunto, informou o Washington Post.

Em comunicado ao jornal, o Departamento de Estado confirmou que Barnes e Samson planejavam viajar para Brasília na próxima semana, mas não respondeu a perguntas sobre o objetivo da viagem nem se o governo Trump estava preocupado com a integridade eleitoral no Brasil.

O Departamento de Estado não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Bloomberg News.

Em março, o governo de Lula revogou um visto previamente aprovado para o funcionário do Departamento de Estado Darren Beattie antes de uma viagem ao Brasil.

O governo afirmou, na ocasião, que Beattie havia fornecido informações falsas sobre sua viagem e não revelou seus planos de visitar Jair Bolsonaro.

Veja mais em bloomberg.com