Bloomberg — O Banco Central abriu caminho para reduzir o estoque de swaps cambiais para nível abaixo de US$ 100 bilhões pela primeira vez desde maio de 2022, em meio ao enfraquecimento global do dólar e ao forte fluxo de divisas para o país, especialmente para a bolsa, mesmo em ano eleitoral.
A autoridade monetária também deve deixar vencer US$ 2 bilhões das chamadas linhas no câmbio. Será o segundo mês seguido em que o BC não rola integralmente o vencimento dessas operações. Nos dois casos, o sinal é de conforto com o cenário para a moeda, segundo analistas.
A oferta menor de instrumentos cambiais ocorre em momento de queda do dólar, que ronda os menores patamares desde maio de 2024, com o real favorecido pelo movimento global de desvalorização da divisa americana.
Pesa ainda a trajetória de queda dos juros nos Estados Unidos num momento em que o Banco Central brasileiro mantém a Selic estável em patamar elevado, de 15%, o que favorece a entrada de capitais no país.
“Acredito que o Banco Central brasileiro esteja confortável com a trajetória do real e com a tendência geral de depreciação do dólar”, afirma Brendan McKenna, economista para mercados emergentes e estrategista de câmbio do Wells Fargo.
Leia também: Gestores veem Ibovespa acima dos 190 mil pontos até o fim do ano, diz pesquisa do BofA
Atualmente, o BC detém uma posição de US$ 100 bilhões em swaps — contratos de derivativos tipicamente usados pela autoridade monetária para prover proteção no mercado de dólar.

Na semana passada, o BC optou por não rolar integralmente o volume ofertado na quinta e na sexta-feira, e já antecipou o anúncio da rolagem do mês de abril. Com isso, indicou que deve deixar vencer cerca de US$ 1,25 bilhão no fim do mês — caso não haja leilões adicionais.
Ao mesmo tempo, o BC caminha para deixar vencer parte das operações de linhas de câmbio, em que o BC oferta dólar à vista com compromisso de recompra. Somados, o BC pode deixar vencer US$ 5 bilhões entre fevereiro e março.
Fluxo positivo
O mercado de dólar à vista está sendo inundado por fluxos para bolsa, além de captações de recursos por parte de empresas brasileiras no exterior, de acordo com Daniel Balaban, corretor de NDF da XP em Nova York. “Faz sentido para o BC diminuir a colocação nos leilões” de rolagem de swap, disse.
A entrada de recursos de investidores estrangeiros para a bolsa soma R$ 36,6 bilhões no ano até o dia 19. Já o fluxo cambial total para o país está positivo em US$ 6,6 bilhões no ano, de acordo com dados do BC até 13 de fevereiro.
Leia também: Novo dólar? Ministros das Finanças da UE defendem maior protagonismo do euro
Balaban observa que o chamado cupom cambial — taxa de juros em dólar negociada no Brasil — também está bem comportado, um indicativo de que o mercado não tem demandado dólar no mercado à vista.
A taxa do contrato de FRA (forward rate agreement, um tipo de contrato futuro) de cupom cambial mais curta negociado na bolsa está praticamente estável no mês, saindo de 4,88% no fim de janeiro para 4,89% na sexta passada.
“Provavelmente, o fluxo cambial positivo observado neste ano, a melhora na percepção de risco soberano e a continuidade do enfraquecimento do dólar frente ao real resultaram numa menor demanda por hedge junto ao BC”, disse Antonio Madeira, economista da 4intelligence, em relatório.
Quando o BC deixa de rolar um vencimento de instrumento cambial, isso sugere “tranquilidade” da autoridade monetária com a oferta de moeda estrangeira no país, avalia Daniel Manso, head de futuros da Warren Rena, sobre o vencimento recente de linha cambial. “É muito provável que o BC, vendo o fluxo positivo, optou por não rolar”, afirmou.
Brendan McKenna, do Wells Fargo, alerta, no entanto, que se a volatilidade voltar a crescer, o BC poderá voltar a aumentar as operações no mercado de câmbio.
Veja mais em Bloomberg.com
Leia também
Fluxo estrangeiro impulsiona ações latino-americanas à máxima em 11 anos
© 2026 Bloomberg L.P.








