Bloomberg — O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a alta das expectativas de inflação para 2028 é uma preocupação crescente para os agentes, destacando temores de que um choque global de energia possa pressionar o cenário de longo prazo.
“O Banco Central não permitirá que choques externos se transformem em inflação além do horizonte relevante da política monetária”, disse David nesta quinta-feira (28), durante um evento. Atualmente, esse horizonte corresponde ao quarto trimestre de 2027.
O Banco Central vem adotando um tom cada vez mais cauteloso após promover dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na taxa de juros. As tensões persistentes no Oriente Médio elevaram os preços do petróleo e levaram analistas a revisar para cima as projeções de inflação em mercados emergentes. O movimento aumenta as dúvidas sobre o espaço para novos cortes na maior economia da América Latina.
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A inflação anual do Brasil acelerou para 4,64% no início de maio, informou nesta quarta-feira o IBGE. Os preços ao consumidor subiram 0,62% no mês.
Daqui para frente, as expectativas de inflação para 2028 continuaram a piorar — algo que “salta aos olhos” dos agentes, disse David.
“Embora pouco ou nada mais possa ser feito em relação a 2026, ainda é possível fazer tudo em relação a 2028”, afirmou. “A política monetária funciona, e o Banco Central tem a obrigação de perseguir a meta de 3%.”
Os comentários ocorrem em um momento em que as condições financeiras seguem restritivas. Antes de iniciar o ciclo de afrouxamento monetário em março, o Banco Central havia mantido os juros no maior nível em cerca de duas décadas, de 15%, por várias reuniões consecutivas, em meio a preocupações persistentes com as expectativas de inflação e a incerteza fiscal.
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Após o corte mais recente de juros, em abril, alguns economistas alertaram que a piora dos riscos externos e a deterioração contínua das estimativas para os preços ao consumidor podem levar o Banco Central a interromper o ciclo de cortes já em junho, mantendo a Selic em 14,5%.
Autoridades do Banco Central têm enfatizado repetidamente que os juros permanecerão em nível restritivo pelo tempo necessário para garantir a desaceleração da inflação e a reancoragem das expectativas.
“Reduzir os juros não significa que o Banco Central do Brasil adotou uma postura dovish”, disse David. “O Banco Central manterá os juros em níveis contracionistas pelo tempo necessário para assegurar que a inflação atinja o centro da meta.”
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